Cientistas fazem alerta sobre rápida degradação dos mares nos últimos 20 anos

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Barcelona (Espanha), 24 dez (EFE).- Cientistas da Espanha e da França alertam sobre a rápida deterioração dos ecossistemas marítimos, sobretudo nos últimos 20 anos, e da sua grave repercussão em todo o planeta.

Através do livro "Marine Animal Forest", editado pela Springer-Nature, os cientistas abordam o novo conceito de "floresta animal" e lembram o importante papel dos mares e oceanos frente à mudança climática.

O livro proporciona uma visão geral dos ecossistemas do fundo do mar e explica que uma "floresta animal" forma as comunidades que residem no fundo do mar (bentônicos), dominadas por corais, gorgônias, esponjas e bivalves, que criam estruturas complexas que, por sua vez, servem de lar para muitas outras espécies.

Os cientistas pertencem ao Centro Nacional da Investigação Científica (CNRS) francês e aos espanhóis Instituto de Oceanografia (IEO) e o de Ciência e Tecnologia Ambiental (ICTA-UAB), da Universidade de Barcelona (UB)

Os autores denunciam que nos últimos anos o homem está provocando mudanças drásticas e aceleradas nos ecossistemas marítimos, alterando sua capacidade natural de absorver os crescentes níveis de CO2 da atmosfera.

"Estas comunidades têm similaridades estruturais e funcionais com as florestas terrestres, embora estejam dominadas por animais ao invés de plantas", explica Sergio Rossi, da Universidade de Barcelona.

O pesquisador do ICTA-UAB RESSALTA que a "floresta animal marítima" é a estrutura mais extensa do mundo, uma vez que 70% da superfície do planeta está coberta por mares e oceanos e concentra 90% da vida na Terra.

No entanto, "só conhecemos 5% do que há no fundo do mar, de um ponto de vista biológico e de comunidades, o que é muito pouco em comparação com a superfície terrestre", acrescenta.

Os cientistas denunciam que a atividade humana está provocando uma dramática perda de biomassa e biodiversidade e danifica a sua capacidade de recuperação.

Segundo os biólogos, estas florestas animais não só proporcionam serviços ecossistêmicos como alimento, proteção e habitats para a fauna marinha, mas também são fundamentais nos ciclos hidrodinâmicos e biogeoquímicos do fundo do mar, agindo como sumidouros de carbono emitido pelo homem à atmosfera.

O livro ressalta que as florestas de animais marítimos proporcionam serviços como a pesca, a colheita de corais preciosos e espécies para uso farmacêutico e médico, materiais para construção e serviços ao turismo, com a repercussão econômica que representaria o seu desaparecimento.

Segundo os biólogos, práticas de pesca destrutiva e excessiva, poluição, aquicultura incontrolada, exploração petroleira e de gás e urbanização do litoral se somam aos efeitos da mudança climática como o aquecimento global, a acidificação da água, o aumento dos níveis do mar, a erosão dos icebergs e o aumento da frequência e virulência dos furacões.

"Tudo isso levará à degradação da biodiversidade, à destruição das estruturas dos ecossistemas e à perda de serviços ecossistêmicos", adverte o livro, que avisa, entre outras coisas, que as gorgônias estão substituindo os corais, que desaparecem em regiões como o Caribe.

"São mais flexíveis às mudanças, se aclimatam melhor, mas retêm menos carbono, suas estruturas não formam os recifes, como fazem os corais duros, e são menos resistentes aos furacões", explica Rossi, que lembra que "99% da energia das ondas em épocas de furacões é absorvida pelos recifes de coral". EFE

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