O delegado da Polícia Federal (PF) Felipe Hayashi pediu, nesta sexta-feira (27), mais 20 dias para que os peritos criminais federais concluam o laudo da perícia nos sistemas eletrônicos Drousys e My Web Day, usados por executivos da Odebrecht para pagamento de propinas a agentes públicos.
O pedido foi feito ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, nesta tarde. Até a publicação desta reportagem, Moro não havia se pronunciado sobre o assunto.
A perícia foi feita com o objetivo de identificar possíveis lançamentos em relação à reforma do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), pela empreiteira. Nesta ação penal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de receber reformas no imóvel como propina.
A propriedade, conforme as investigações, está no nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, que são sócios do filho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Lula recebeu propina proveniente de seis contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht e a OAS. Conforme a denúncia, as melhorias no Sítio Santa Bárbara totalizaram R$ 1,02 milhão.
Lula nega as acusações e diz não ser o dono do imóvel. Ele é réu neste processo e responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Meu dia na web e drousys
O "My Web Day" foi mencionado durante o depoimento de Hilberto Mascarenhas, que era o responsável pelo setor de propinas da empreiteira, prestado em 7 de junho do ano passado.
Segundo Mascarenhas, o sistema foi adaptado para fazer o controle de tesouraria e, atualmente, não é mais utilizado. O "My Web Day" funcionava como um manual da propina e foi substituído posteriormente pelo "Drousys", um controle mais sofisticado e que ficava na Suíça.
Ainda conforme o depoimento, o programa continha todos os registros dos pagamentos efetuados e a quem foram efetuados, por condinome.
O que a Odebrecht diz
Veja a íntegra da nota enviada pela Odebrecht:
“A Odebrecht informa que desde março de 2016, quando anunciou sua decisão por uma colaboração definitiva com a Justiça do Brasil e de todos os países em que atua, vem fornecendo às autoridades os arquivos de seus sistemas eletrônicos sem qualquer modificação. No caso em questão, a perícia da Polícia Federal determinou que 99,9% dos arquivos examinados estão íntegros e são autênticos. A empresa está oferecendo todo apoio ao trabalho de perícia, de modo a esclarecer eventuais dúvidas".