“Foi um baque tenebroso”, diz Moacyr Franco.

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Foi em casa, na Granja Viana, área nobre na zona oeste da grande São Paulo, que Moacyr Franco recebeu o R7 para falar pela primeira vez sobre a recente demissão do SBT. O anúncio da dispensa da emissora na qual trabalhou por 20 anos, 12 deles dedicados ao programa A Praça é Nossa, foi feito pelo próprio ator e humorista em seu canal no YouTube, há cerca de uma semana. Na gravação, Moacyr revelou quanto ganhava: R$ 40 mil, que segundo ele mesmo disse, eram insignificantes diante de outros salários da emissora de Silvio Santos. Na ocasião, por ser mal interpretado, ele foi atacado nas redes sociais, chegando a liderar a lista dos assuntos mais comentados no Twitter. O “insignificante”salário de R$ 40 mil

— Não me arrependo de ter dito, não. De jeito nenhum. É que as pessoas não entendem. Eu falei: “o meu salário é insignificante perto dos R$ 45 milhões que o SBT precisa economimizar”. Foi exatamente isso que eu falei. Mas o pessoal aproveitou para fazer barulho. No começo, eu até me preocupei em desmentir isso, mas pensei, “deixa isso pra lá, deixa o pessoal pensar o que quiser”. E esse dinheiro do SBT, embora fosse relativamente “pouco”, era muito importante para mim.Um dia antes me falaram que o Leon [Abravanel, irmão de Silvio Santos e atual diretor de produção do SBT] queria falar comigo no dia seguinte. Mas como há houve muitas vezes essas reuniões com outros artistas, de baixar o salário por causa de crise, pensei que fosse algum remanejamento, sei lá. E não, quando eu cheguei lá, foi direto. Me disseram: “Eu vou ter que dispensar você”. Aí, eu tive que bancar o valente. Mas foi um baque tenebroso. Se eu fosse mover uma ação contra o SBT, eu não vou mover uma ação contra a emissora, que fique claro. Mas se fosse, a parte mais importante é o tal do danos morais, porque é muito triste você com 80 anos ser despedido.

Os dias pós demissão

— Como foi uma coisa muito de repente, foi um impacto muito forte para mim. Fiquei triste mesmo. Fiquei mesmo sem saída, como quem perde uma pessoa da família, foi muito ruim para mim, isso por uns quatro, cinco dias. Agora não, as coisas estão começando a clarear. E outra coisa, eu “plantei” muito ali na Praça [é Nossa]. Toda hora um deles me liga. Tenho recebido muitas declarações de amor. E eu estou muito satisfeito de estar com 81 anos, inteligente, criativo. Eu tive uma proposta para fazer um filme, me deram a ideia, eu cheguei em casa, quando foi de manhã e já tinha o roteiro pronto. E isso não é fácil, não é todo mundo que tem essa facilidade. E eu tenho ainda. Ainda acho que é meu grande valor.Mágoa do SBT

— Minha frustração maior é da emissora não ter me aproveitado. Eu tinha muito para dar para o SBT, muito. E eu tenho mais 20 coisas interessantes, novas, baratas para eles fazerem, só que eles não querem ouvir. Eles encontraram lá os formatos que eles acham lucrativos. Fico muito triste de não poder fazer o que sei fazer, que sei que faço bem. E toda vez que eu fiz deu certo, isso que é o pior.— A única coisa que eu fiquei triste, e eu vou falar isso para ele, é que ele podia ter me dito que a demissão ia acontecer. Só isso. Eu não tenho nada contra ele. Acho que cada um tem um jeito de enxergar as coisas. Eu sei que ele estava muito contente com a minha participação na Praça. Mas a única coisa que eu modificaria nessa história, se eu fosse ele, era me avisar antes. Ele pôde, sei lá, não ter tido coragem para falar comigo para me preservar. Mas reafirmo aqui: não tenho nada negativo para falar do Carlos Alberto.

Planos para o futuro

— É o de sempre. É correr atrás, toda semana, todo dia. Eu não posso ter férias. E volto a dizer, a coisa mais importante eu tenho: capacidade criativa e física. Não posso me dar ao luxo de parar de trabalhar nenhum dia, minhas despesas são grandes, por isso tenho que trabalhar muito.

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