nquanto aguarda definição do futuro do Aeroporto Internacional de Viracopos, que pode ser devolvido ao governo medidante o processo de relicitação, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos trabalha para ampliar receitas e dar nova destinação ao antigo terminal de passageiros, desativado em abril de 2016. Com sinal verde da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o grupo negocia com duas empresas a cessão da área, que será parcialmente demolida para dar lugar a um terminal de cargas domésticas.
De acordo com César Worms Gomes Santos, gerente de Negócios Imobiliários de Viracopos, a nova operação permitiria o aumento da receita de exploração comercial, aliado aos benefícios de maior movimentação de carga e aeronáutica, com mais pousos, decolagens e estadias. "As receitas de locação serão cada vez mais importantes", ressalta Santos.
Desde que transferiu todas as operação para o novo terminal de passageiros, o terminal zero (0) tinha seu futuro analisado pela concessionária. Sem emplacar a ideia de exploração do varejo, o fato de a estrutura estar próxima ao pátio de aeronaves fez com que a definição por um terminal de cargas ganhasse força.
Segundo a Aeroportos Brasil, duas empresas dedicadas a área imobiliária e voltadas à operações logísticas fizeram estudos e projetos para ocupação da área, e as ofertas estão sendo analisadas pela concessionária.
"Vamos fazer a cessão da área para o investidor e todo o processo a partir daí, como demolição, construção e operação, será feito pelo investidor", ressalta Santos.
Caso o novo terminal seja construído em apenas um piso, com área útil de 40mil m², o custo da obra seria, de acordo com a concessionária, de aproximadamente R$ 80 milhões.
Centro logístico
O gerente de Negócios Imobiliários de Viracopos estima que a definição da proposta vencedora ocorra no primeiro trimestre de 2018, sendo que a obra deve levar 24 meses para ser concluída. O negócio, ele garante, em nenhum momento afetará as operações de carga do terminal.
"Não afeta em nada, nossa operação seria a mesma. O responsável por esse futuro terminal faria a exploração da área de cargas domésticas, sendo que a vocação não seria de armazenar mas, sim, seria usado como passagem."
Santos projeta que o terminal em operação poderia elevar entre 10 e 15 mil toneladas por ano a movimentação de carga em Viracopos. "É preciso ressaltar que essas cargas são consideradas leves, seriam remessas expressas, por isso o volume total não seria tão grande", explica o gerente.
Segurança para o investidor
César Santos explica que a indefinição sobre a administração do aeroporto de Campinas (SP) não afeta o andamento do projeto ou mesmo o fechamento do contrato, que estaria atrelado ao tempo de concessão do terminal, que é de 30 anos.
"Houve a anuência da Anac, que garante o contrato independemente de quem seja o operador aeroportuário. Isso ocorre por que a Anac entende que o aeroporto passa a valer mais com o terminal de carga doméstica."