Soldado continua cumprindo pena no presídio militar Romão Gomes, na capital. Primeira versão apresentada pelo condenado era de que vítima era suspeita de tentativa de assalto.
soldado da polícia militar Paulo Vinícius Ipólito de Souza, acusado de matar Ednaldo de Oliveira Marques em janeiro do ano passado, foi condenado a 15 anos de prisão nesta quinta-feira (10). O julgamento foi realizado no Fórum de Mairinque (SP), cidade onde aconteceu o crime.
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, o réu foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, fraude processual e corrupção de menores. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, no presídio militar Romão Gomes, na capital.
A Justiça também condenou o soldado a mais seis meses em regime aberto e pagamento de 20 dias multa, ao valor de R$ 31,80 cada, resultando em R$ 636. A defesa do soldado não foi encontrada para comentar a decisão.
Habeas corpus negado
Em abril do ano passado, a defesa do condenado entrou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal Federal, que foi negado pelo ministro Luís Roberto Barroso.
A defesa alegou que o soldado não preenchia os requisitos para permanecer na prisão temporária, entretanto, a decisão do STF foi baseada no pedido de prisão. O PM permaneceu detido porque estaria dificultando a investigação.
Além disso, como a suposta vítima do assalto seria irmão da namorada ou ex-namorada do réu, isso demonstraria influência sobre a testemunha. Por fim, a Polícia Civil sustentou que, pelo réu ser policial, várias testemunhas tinham medo de depor com ele solto.
Entenda o caso
Ednaldo, que tinha 35 anos, foi baleado no pescoço, peito e ombro enquanto estava em um ponto de ônibus na Avenida Maria Whitaker, no Centro de Mairinque. Na época do crime, o PM relatou que a vítima estava armada e teria anunciado um assalto em um ponto de ônibus.
Entretanto, a versão foi desmentida por várias testemunhas que procuraram a polícia, inclusive pelas redes sociais. A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o PM por homicídio qualificado, quando há intenção de matar.
Ainda conforme a polícia, o soldado chegou a apresentar três versões diferentes do caso. Paulo Vinícius estava no batalhão em Osasco desde 2012.
Motivação desconhecida
Após o crime, parentes da vítima ficaram indignados e disseram que Ednaldo era alcoólatra, mas nunca havia se envolvido em roubos. A motivação do crime permanece desconhecida para a Polícia Civil. As versões dadas pelo soldado e pelas testemunhas foram reproduzidas em abril do ano passado.
A reconstituição durou cerca de três horas e meia e contou com a participação voluntária do investigado, acompanhado de três advogados e do carro que usava no dia do crime. A namorada do PM também esteve presente.