A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) anunciou esta segunda-feira que vai participar nas negociações com o Governo de Nicolás Maduro, previstas para 1 e 2 de dezembro na República Dominicana.
“Decidimos apoiar e ser parte da Venezuela, que, como forma de luta para superar o drama social e alcançar uma alteração política, dispôs-se a iniciar um novo processo de negociação com o Governo, a 1 de dezembro na República Dominicana”, lê-se no comunicado divulgado pela MUD no Twitter.
A oposição procurará “defender a Constituição, o direito do povo a medicamentos e alimentos, e a eleições livres e transparentes, que não haja presos políticos no país e nem mais uma única pessoa a morrer por ter protestado ou pensar de forma diferente”, adianta a nota. A realização de eleições presidenciais supervisionadas por “observadores internacionais qualificados”, bem como a restituição dos poderes à Assembleia Nacional (Parlamento venezuelano, onde a oposição detém a maioria), são outras das exigências apresentadas. “Sabemos que a solução definitiva para a crise e para a enorme tragédia social que vivemos passa pela realização de eleições presidenciais livres”.
A oposição assume-se como “plenamente consciente” de estar a preparar-se para participar numa negociação com um Governo que não tem “nenhuma credibilidade nacional ou internacional, que incumpriu e desrespeitou acordos internacionais em direitos humanos e em matéria laboral”. O que não significa, porém, que deva resignar-se. “A história ensina-nos que a transição entre um regime ditatorial e a liberdade e a democracia, sempre passa por uma negociação”, sublinha.
Da delegação que irá viajar para a República Dominicana fazem parte representantes do setor laboral - como advogados e economistas - do setor académico e de organizações de defesa dos Direitos Humanos. Entre eles, encontra-se o luso-descendente Manuel Teixeira, do Movimento Progressista da Venezuela.