A neve cai na cidade de Nova York e Bill Murray mora em uma suíte de hotel mal iluminada no começo de A Very Murray Christmas, de Sofia Coppola.
Acompanhado do piano jazzístico de Paul Shaffer, o ator – interpretando a si mesmo – canta uma melancólica canção sobre a tristeza da época de Natal.
A cena, de alguma forma, parece perfeitamente adequada para Murray. Os vocais levemente desafinados e aparência desgrenhada transmitem, no entanto, sua intangível presença em tela maior que a vida.
A música termina e um silêncio confortável enche a sala apenas por um momento. Isso enquanto Murray e Shaffer trocam gentilezas casuais.
Tomando a forma de um espetáculo de variedades aparentemente interligado por interlúdios musicais aleatórios interrompendo a narrativa, A Very Murray Christmas cria uma aventura delirante.
Murray se concentra nos corredores e salões de baile do Carlyle Hotel, compartilhando bebidas e músicas com pessoas que ele conhece.
O clima é descontraído, com personagens e celebridades entrando e saindo para acompanhar Murray na música. O destaque é o dueto de Murray “Baby, It’s Cold Outside” com uma garçonete aparentemente desavisada (Jenny Lewis).
A Very Murray Christmas tem a ênfase na conexão entre estranhos
Em meio à sua busca constante por álcool, ele conhece um casal de noivos (Rashida Jones e Jason Schwartzman). Eles estão com o casamento e, potencialmente, seu futuro juntos, desmoronando.
Talvez canalizando a sabedoria adquirida de seus próprios fracassos, Murray gentilmente orienta os dois a voltarem. Ele faz isso através de suas observações simples – e canções, é claro – sobre o amor.
A ênfase de A Very Murray Christmas na conexão entre estranhos torna-a uma espécie de prima espiritual. O filme tem um objetivo sutil em favorecer as tradições das festas modernas. Festas nas quais as simulações de alegria são a única forma de levar a vida.
Os extravagantes momentos de reminiscência do filme são responsáveis pelas risadas mais fáceis. Mas o que deixa a marca mais profunda são os encontros casuais. Tem também as trocas tácitas entre personagens que articulam de forma pungente a complicada, muitas vezes com a passageira simultaneidade de alegria e tristeza.
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