candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta-feira (29) em entrevista à GloboNews que, se eleito, não descriminalizará o uso de drogas.
Alckmin foi o terceiro entrevistado da série da GloboNews com presidenciáveis. O primeiro foi Ciro Gomes (PDT) e o segundo, Jair Bolsonaro (PSL). Nesta quinta (30), será a vez de Marina Silva (Rede).
A declaração do candidato foi dada após ele ter sido questionado sobre o fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o assessor David Uip já terem defendido a descriminalização das drogas. "O senhor pretende seguir as orientações dos dois?"
"Nem um nem outro. Não vou seguir nem um nem outro. Respeito, acho que é um debate importante e que deve ser aprofundado, mas nós não temos hoje razão para achar que este é o caminho. Não tem um lugar que você diga 'aqui teve um resultado espetacular'. Eu acho que não. Eu acho que nós precisamos tomar cuidado com a legalização de drogas até aparentemente de menor ofensa para a saúde da população, mas que acabam sendo porta de entrada para outros", afirmou Alckmin.
Em seguida, o candidato foi questionado sobre a região em São Paulo conhecida como cracolândia continuar existindo mesmo após ele ter sido governador do estado. Alckmin, então, disse que o número de usuários de crack no local tem caído porque "muita gente se recupera".
"O que temos que fazer? Trabalhar de maneira redobrada. Nós não vamos desistir. Quem é a vítima da droga? É o jovem do sexo masculino e de baixa escolaridade. [...] Temos que tratar [a questão das drogas] como saúde pública, dar a mão a esse jovem, tirá-lo da droga, trazer a sociedade civil para ajudar, igrejas, escolas, famílias, tarefa comum e combate duríssimo ao tráfico de drogas", acrescentou.
Outros temas
Saiba, abaixo, outros temas abordados pelo candidato durante a entrevista à GloboNews:
- Pesquisas eleitorais: "Não vou discutir pesquisa porque é impressionante como tem gente que acredita em pesquisa antes da campanha. É negar a democracia. Por que tem campanha? Tem campanha para você convencer o eleitor. O que existe até agora é recall fruto do passado".
- Salários das mulheres: "Estou estudando uma lei, que foi nessa linha de verificar experiências boas, da Alemanha. Que torna explícita a questão do salário das mulheres. Obriga as empresas a publicar qual é o salário de homem e de mulher. Então estamos estudando o processo legislativo para a questão."
- Corte de ministérios: "Claro que é uma engenharia que deve ser feita. Você pode agrupar dois, três ministérios em um só. Estatais, tem 146 empresas estatais. [...] Vamos fazer um pente-fino em tudo isso para zerar o déficit. Para quê? Não é só para zerar o déficit, é para o país voltar a crescer, [ter] credibilidade e confiança para crescer".
- Chegada de venezuelanos: "O que nós temos que fazer, primeiro, é procurar que a Venezuela saia da crise o mais rápido possível. Segundo, acolher. [...] Temos que acolher as pessoas nesse momento de dificuldade, alguns vão para outros países de língua espanhola, outros vão ficar. É acolher as pessoas, procurar encaminhá-las. O Brasil tem cultura humanitária, que é boa e precisa ser mantida".