Presidente tem 24 horas para enviar respostas no âmbito de operação que investiga obstrução de Justiça
Operação da PF mira Temer e Rocha Loures | Foto: J. Batista / Agencia Câmara / Divulgação / CP
A Polícia Federal (PF) enviou nessa segunda-feira um rol de mais de 80 perguntas ao presidente Michel Temer no inquérito da Operação Patmos - investigação que põe sob suspeita o peemedebista no caso JBS. Na semana passada, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), deu 24 horas para o presidente responder às indagações dos investigadores. A defesa de Temer quer prazo maior.
A PF questionou o presidente sobre as razões que o levaram a receber no Palácio do Jaburu, na noite de 7 de março, o empresário Joesley Batista, da JBS. Dias depois do estouro da Operação Patmos, em que veio a público o áudio da conversa que teve com Joesley, o presidente declarou publicamente que seu visitante no Jaburu "é um conhecido falastrão". O presidente afirmou que o áudio foi "manipulado, adulterado".
No questionamento ao presidente, a PF indaga "qual o motivo, então, para tê-lo (Joesley) recebido em sua residência, em horário não usual, em compromisso extraoficial e sem que o empresário tivesse sido devidamente cadastrado quando ingressou às instalações do Palácio".
Os delegados federais Thiago Machado Delabary e Marlon Cajado Oliveira dos Santos também insistiram no relacionamento do presidente com o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), apontado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como "verdadeiro longa manus" de Temer.
Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer, está preso desde sábado, em Brasília, por ordem do ministro Edson Fachin. Loures foi flagrado correndo por uma rua de São Paulo, em abril, carregando uma mala estufada de propinas da JBS - R$ 500 mil. O policial quer saber desde quando Temer conhece o homem da mala.
Outra indagação se refere a uma doação que o presidente teria feito a Rocha Loures. O delegado pergunta a Temer se ele confirma uma doação de R$ 200 mil à campanha de seu aliado à Câmara. "Quais os motivos dessa doação?"
As indagações fazem parte do inquérito da Operação Patmos, que mira Temer e Loures por corrupção passiva e obstrução de Justiça. Os investigadores suspeitam que o presidente escalou seu ex-assessor como interlocutor com a JBS para tratar dos interesses do grupo em seu governo.
Prazo maior
Responsável pela defesa do presidente, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira vai entregar petição nesta terça-feira ao ministro Fachin comunicando que não haverá condições de o presidente responder aos questionamentos da Polícia Federal em 24 horas - prazo estabelecido pelo ministro relator da Lava Jato na Corte.
Mariz vai alegar que a PF teve pelo menos seis dias para elaborar as perguntas enviadas a Temer. Para ele, 24 horas são insuficientes para responder. O advogado do presidente não entrou em detalhes sobre as indagações da PF, que estão sob sigilo. Mariz considera que o procurador-geral da República Rodrigo Janot, que cerca o presidente e a ele atribui os crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça, age movido por 'nítido viés político'.
O advogado ficou indignado com afirmação do chefe do Ministério Público Federal de que o ex-deputado e ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, preso sábado, é "um verdadeiro longa manus de Temer", ou seja, executor de crime ordenado pelo presidente. "É uma afirmação fruto do seu desejo de pura e simplesmente acusar o presidente da República dentro de um quadro meramente ficcional", declarou Mariz.