3 REAÇÕES de VÍTIMAS diante da Violência Sexual

Debh Valois

Existe na cabeça da maioria das pessoas uma ideia de como deveria ser a reação PADRÃO de uma vítima... ou do que seria esperado de uma vítima de violência sexual.

Essa pessoa deveria chorar, se desesperar, se descabelar, entrar em choque, deprimir, ter estresse-pós-traumático, tentar o suicídio, nunca mais sentir desejo sexual, nunca mais confiar em ninguém, desistir de viver, virar um bicho... sei lá... e de preferência, tudo isso junto.

Só que não. Não é bem por aí, nem há REGRAS pré-determinadas pra isso.

Quando uma vítima de estupro chega num setor público para fazer a queixa, é possível que, se ela não demonstrar uma ou várias dessas reações, ela seja DESACREDITADA.

Mas, olhe só, podem ocorrer diversas variações de reações das vítimas diante de suas vivências. Um trauma desses pode produzir todos os tipos de EFEITOS POSSÍVEIS, alguns já esperados e outros, nem tanto.

Mas não significa que se a vítima não agir "assim, assim e assado"... ela não esteja sofrendo ou que não seja verdade.

Gente.... ninguém passa impune por uma experiência desta ordem. Ninguém!!!

Violência sexual é fonte de intenso trauma e sofrimento SIM, muitas vezes reduplicado pela insensibilidade daquelas pessoas que - ainda por cima - desacreditam a vítima... a culpam... ou querem que ela se cale.

Vou citar 3 exemplos... para vocês terem uma ideia das diferenças que podem existir:

1º - Quando a violência é causada por um desconhecido - alguém que nunca se viu e nunca mais se irá ver - é bem provável que a vítima demonstre indignação, revolta, nojo, perplexidade, raiva e fique aterrorizada.

2º - Quando se fala em abuso sexual intrafamiliar, estamos falando de um estupro causado por uma pessoa que a vítima amava, em quem ela confiava, com quem ela se sentia segura.

Esse tipo de estupro causa sentimentos contraditórios na vítima que, embora saiba que algo está muito errado, pode não deixar de amar inteiramente o seu molestador (a), principalmente porque em outros momentos, essa vítima recebe do abusador (a) algumas recompensas como carinho, atenção, cumplicidade, presentes, presença, comida, doces... o que aumenta a sua confusão da criança e decreta seu silêncio:

"Esse vai ser nosso segredinho, tá?"

Essa criança ou adolescente, pode não demonstrar aquele tal desespero, ódio, repulsa, pode até nem chorar; é mais provável que ela vá se sentir culpada por ter que contar algo - que ela sabe que - pode prejudicar seu molestador (a) e é possível que a criança tente até amenizar os fatos para proteger a pessoa acusada.

Tudo isso torna ainda mais perverso esse tipo de abuso.

3º - E tem aquele estupro que a vítima nem sabe que foi um estupro. Por exemplo, uma adolescente de 12 anos, que foi seduzida pelo seu professor de 30 anos que além de bonito, é amado por todas as suas colegas; ele a fez acreditar que ela era especial, dentre todas as garotas do colégio, que ela foi a escolhida. E embora ela sinta vontade de contar à todos que está apaixonada, ele a fez prometer segredo, para ele não ser demitido.

Essa vítima ignora que o perfil desse molestador pedófilo mantém várias vítimas em vários níveis de sedução e essa vítima provavelmente não vai chorar durante seu depoimento. E se chorar e se desesperar não será porque ficou sabendo que aquilo foi um estupro, mas por ter sido separada dele, ou por ele ter sido preso.

As várias manifestações e facetas do estupro produzem igualmente várias reações assim como também vários tipos de danos e prejuízos, seja no momento em que ocorre o abuso, seja durante o processo da denúncia, seja na vida adulta daquela vítima.

O importante é saber que: apenas uma reação da vítima – isoladamente – não pode servir para medir um sofrimento... um trauma... um prejuízo.

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