Havia seis meses de trabalho recém-iniciado no Atleti, quando Diego Pablo Simeone tratou de erguer o primeiro caneco de sua passagem vitoriosa pelo time de Madrid. Uma vitória incontestável por 3 a 0 sobre o Athletic Bilbao, em Bucarest. Seria uma das duas Europas League do Atleti, que bateu, na temporada passada, o Olympique de Marselha, em Lyon, por 2 a 0.
O Cholo iniciava uma trajetória de muita identificação com a torcida que o acolheu de 1994 a 1997 e, depois, de 2003 a 2005, quando ainda desfilava seu estilo viril e competitivo em campo. Como um camisa cinco.
Diego Simeone mudou de patamar o Atlético de Madrid. Com a sétima taça erguida ontem, ultrapassou o lendário Luís Aragonés para ser simplesmente o técnico com mais títulos pela equipe. Não satisfeito, infiltrou o Atleti no grupo dos times mais competitivos da Europa nesta década e colheu os frutos de implantar seu modo de jogar de forma cristalina.
Não espere firulas ou jogos vistosos. Ainda que Griezmann tenha uma qualidade absurda e tenha aberto mão de ir para a Catalunha por confiar no Cholo. Espere um time agressivo. Pronto para dar o bote. Firme. Intenso até a última volta do ponteiro. Em qualquer jogo.
Há muitas formas de se vencer. Guardiola fez o maior Barcelona de todos os tempos e o maior time que este blogueiro já viu jogar. Sendo ofensivo. Com o controle de bola. Magia pura.
Simeone é o contraponto mais claro. Proteção da meta como se fosse um coração. Que bate intensamente para aproveitar o mais simples vacilo. Simplicidade para jogar com duas linhas de quatro que se compactam com o maior sincronismo possível.
De quebra, venceu o Real Madrid pela terceira vez em finais de três competições diferentes. Na Copa do Rei, em pleno Bernabéu, em 2013. Na Supercopa espanhola em 2014. E, agora, a Supercopa europeia. Primeira derrota merengue em finais internacionais em 18 anos.
Marca de quem reúne o maior prestígio entre os jogadores. Com uma defesa muito forte e eficiente liderada pelo novo capitão Diego Godín. Um meio-campo que oferece mais opções como o garoto Rodri, que funcionou bem na saída de bola do time ontem, na Estônia. Além dos talentosos e polivalentes Saúl e Koke. E do poder de fogo que mistura o talento de Griezmann e a força de Diego Costa. Atacantes que se completam.
Muito empenho e insígnia para vencer o Campeonato Espanhol em 2014 dentro do Camp Nou, com o gol de Godín, na última rodada, no empate por 1 a 1 contra o Barcelona. Com incríveis 90 pontos, contra 87 dos gigantes do país.
A força está no trabalho. No entendimento coletivo de um futebol sempre competitivo a despeito das adversidades encontradas. Contando apenas temporadas completas (já que Simeone chegou em dezembro de 2011 a Madrid), o Atleti sempre fez pelo menos 76 pontos em LaLiga. E nunca ficou abaixo do 3º lugar.
Simeone está na história do Atlético de Madrid. Talvez seja o maior nome que já comandou esta equipe.