Escândalo do Face: pivô fala sobre o Brasil

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RIO - O nome da empresa de análise de dados Cambridge Analytica, com sede em Londres, está nas manchetes dos noticiários pelo mundo. A companhia é acusada de interferir na eleição nos Estados Unidos em 2016 por meio da compra ilegal e manipulação de dados pessoais de cerca de 50 milhões de usuários do Facebook. As informações teriam sido usadas pela campanha do presidente americano Donald Trump para direcionar propaganda política. A Cambridge Analytica também teria atuado de forma ilegal na campanha do Brexit. E mais: vídeo gravado secretamente e divulgado pelo Channel 4 News, do Reino Unido, nesta semana, mostra dois dos mais altos executivos da empresa afirmando que usaram a coleta de dados ilegal em outros países, como México e Malásia, e que estavam vindo para o Brasil participar da eleição de outubro deste ano.

No vídeo, registrado em um dos quatro encontros realizados com empresários da CA entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, Alex Tyler, chefe de dados da consultoria, diz que a coleta de dados pessoais ajuda a segmentar a população para "passar mensagens sobre questões com as quais se importam e linguagens e imagens com as quais provavelmente se engajam". Ele admite:

— Usamos isso nos Estados Unidos, na África... É o que fazemos como empresa — explica Tyler, que é complementado pelo diretor-gerente da CA, Mark Turnbul:

— Fizemos no México, na Malásia, e agora estamos indo para o Brasil, China, Austrália...

Cambridge Analytica tinha 'caixa preta', diz empresário brasileiro

Facebook e Cambridge Analytica trabalharam juntos para Trump após vazamento de dados

Em novembro do ano passado, uma reportagem da Bloomberg mostrou que a CA vinha mantendo contatos no Brasil para trabalhar com políticos brasileiros na eleição presidencial deste ano. A CA Ponte, parceria entre a consultoria britânica e a empresa brasileira Ponte Estratégia, disse na época estar em contato com três possíveis candidatos, mas ainda sem acordo fechado.

André Torreta, presidente da firma brasileira, disse então à Bloomberg que a ideia era "tropicalizar" os métodos de análise de dados da CA e adaptá-los ao contexto brasileiro. Ao GLOBO, no último sábado, o publicitário disse que foi pego de surpresa com a investigação aberta contra a CA e que suspendeu a parceria com a consultoria britânica.

Com uma câmera escondida, a reportagem do Channel 4 News capturou o momento em que o diretor-executivo da Cambridge Analytica, Alexander Nix, sugere táticas para prejudicar políticos, indicando que há muitas estratégias para "cavar fundo". Ele diz que é preciso "oferecer um acordo que seja muito bom para ser verdade e garantir que o vídeo esteja gravando".

O repórter do Channel 4 News, que não foi identificado, se passou por um funcionário de uma família rica do Sri Lanka que queria ajudar a promover políticos aliados. Nos encontros gravados sigilosamente, Nix e outros executivos da Cambridge Analytica se vangloriavam ao dizer que contratam empresas de fachada e ex-espiões em nome de clientes políticos.

Com a ajuda do psicólogo Aleksandr Kogan, a CA desenvolveu um aplicativo chamado "This is Your Digital Life" (Esta é sua vida digital), que consistia em um teste de personalidade que perguntava aos usuários se eles são extrovertidos, vingativos, se concluem os projetos que começam, se têm a tendência da preocupação ou se gostam de arte, entre várias outras coisas. O método foi usado para reunir dados de 270 mil usuários do Facebook e também de "amigos" das pessoas que utilizaram o sistema na rede social. Com isso, o aplicativo chegou a coletar dados de 50 milhões de pessoas.

Os resultados básicos obtidos com a pesquisa eram combinados com dados retirados dos perfis e amizades do Facebook para conseguir uma longa lista de características de um usuário, ao qual poderia ser enviada uma mensagem eleitoral mais ou menos sob medida — chegaram a dispor de 175.000 mensagens diferentes.

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