Mulher relata arma apontada ao ser assediada

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Entre as muitas coisas que amo e odeio, ao mesmo tempo, está o Carnaval. Desde sempre, sou apaixonada pela comoção nacional, pelas ruas lotadas, pela música, as fantasias e o glitter que cobre os corpos, as ruas.

Mas também odeio o Carnaval pois sei que ir para a rua é uma batalha. Uma batalha contra os olhares de cobiça, as "cantadas" invasivas, as mãos abusivas que vão me tatear sem minha permissão e de nenhuma das outras mulheres ao meu redor, que vivem a mesma situação.Essa sensação de desconforto se tornou insuportável desde que me descobri feminista. Uma amiga (hoje, uma das melhores) me ensinou que as piadinhas, os abraços inapropriados e, principalmente, que evitar certas situações apenas por ser mulher, não são coisas que acontecem e devemos tudo bem, segue o baile. Ela me mostrou que isso tem nome, uma causa e mulheres lutando pelo fim de tudo isso. Lutando pelo fim do machismo.

De lá pra cá, sou feminista, e acabei por ocupar uma vaga de designer em uma revista que não só se intitula assim, mas também encabeça projetos, campanhas e lutas pelos direitos das minas. Demais, né?

Neste ano, me empolguei genuinamente com o Carnaval. Depois de acompanhar tantas ações, não só de coletivos femininos, mas também de grandes marcas condenando os abusos e o assédio, tirei o ódio do coração e dei lugar ao glitter! Meu namorado e eu estaríamos passando nosso segundo Carnaval juntos. Combinamos fantasias. Convocamos os amigos. Estava tudo lindo.

Logo no primeiro dia de desfiles dos blocos, tomei coragem para fazer a ousada. Coloquei meias pretas, um All Star surrado, shorts e dois X, feitos de fita isolante, cobrindo os mamilos. Assim fui para as ruas. A princípio, estava receosa. Já esperava pelas represálias e pela dor de cabeça de ter que explicar para alguns homens que o fato de eu sair daquele jeito não legitimava, nem lhes dava aval para me tocarem. Contrariando minhas expectativas, tudo correu muito bem. Nenhum imprevisto. Pelo contrário, mulheres me paravam nas ruas e me chamavam de corajosa, maravilhosa e que, quem sabe, elas iriam aderir ao modelito para usar nos próximos blocos.

Voltei para casa com um sentimento de liberdade. Pude sair como eu quis e fui respeitada por isso.

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