Quem não se lembra da primeira cena do filme “Cidade de Deus”? Nela uma galinha fugia de ir para a panela, mas a ação foi filmada sob a perspectiva do animal.
A tomada se tornou uma das mais consagradas do cinema mundial, no entanto, o diretor Fernando Meirelles confessou que tudo foi feito na base da “gambiarra”, o que valorizou ainda mais a cena.
Muito tempo se passou desde o truque de Meirelles em “Cidade de Deus” e a evolução dos efeitos especiais e de pós-produção brasileiros é digna de ser comparada aos de Hollywood.
A produtora independente criada por Meirelles, a O2 Filmes desenvolveu uma subdivisão especializada em efeitos visuais, a O2 Pós, que deixou de trabalhar exclusivamente com projetos da produtora em 2013 e só no ano passado finalizou 50 filmes e séries.Sob o comando de Paulo Barcellos, a empresa é responsável por trabalhos de computação gráfica que podem ser equiparadas às grandes produções internacionais. “Estamos começando a provar ao mercado que temos condições de fazer os efeitos especiais no Brasil com um nível de qualidade similar ao dos Estados Unidos”, conta Barcellos.O filme de mais visibilidade da O2 Pós foi “Malasartes e o Duelo com a Morte”, que estreou em agosto desse ano e conta com 800 tomadas com efeitos especiais bastante complexos. O filme é o longa brasileiro recordista em cenas feitas digitalmente e abriu as portas para a outros trabalhos. “Esse filme nos preparou para voos maiores”, diz o diretor de efeitos especiais da 02 Pós, Sandro di Segni.
A próxima empreitada da empresa será fazer a pós-produção do filme “Pluft: o fantasminha”, baseado no livro de Maria Clara Machado. Dirigido por Rosane Svartman, o filme que tem um set subaquático para garantir a leveza dos fantasmas deve estrear em 2018.