Uma grávida de gêmeos deu à luz dentro de um ônibus, em Goiânia. O que é mais difícil de acreditar é que quando ela entrou em trabalho de parto, horas antes, ela estava dentro de uma maternidade pública.
As imagens gravadas pelo celular mostram o sufoco de funcionários de um terminal de ônibus de Goiânia para ajudar a dona de casa Luciene Ferreira. Ela teve o primeiro bebê ali mesmo, no chão do ônibus.
Outra mulher ligou para a emergência e pediu ajuda para cortar o cordão umbilical: “Por gentileza. Eu estou com uma senhora, ela acabou de dar à luz dentro de um ônibus. Pode deixar com o cordão?”, perguntou.
Câmeras de segurança do ônibus também registraram o corre-corre. O segundo bebê nasceu 40 minutos depois, já no hospital estadual Materno-Infantil. Por sorte terminou tudo bem com a mamãe, e os gêmeos Davi e Ravi.
O que é difícil de acreditar é que, pouco antes de entrar no ônibus, Luciene estava dentro de uma outra maternidade, a Dona Iris. Grávida de 36 semanas, ela passou por uma consulta médica pela manhã. Ela e o marido decidiram aguardar o resultado de exames.
Só que à tarde, oito horas depois do primeiro atendimento, Luciene passou mal. O marido diz que a bolsa d’água se rompeu. Luciene foi atendida por outro médico. Neste segundo atendimento, o marido diz que ela não chegou a ser examinada, que o médico só olhou os exames feitos pela manhã e encaminhou Luciene para fazer um ultrassom em outro hospital, a dez quilômetros de distância.
O casal pegou o ônibus sem saber por que não havia ambulância para o transporte e nem por que não pode fazer o exame na maternidade onde estava. “Errado, né? Que eu falei para ele que ela estava sentindo dor, que a bolsa estava vazando. Ele falou que era normal”, contou o pai dos gêmeos.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que no segundo atendimento de Luciene, na maternidade Dona Iris, “não foram constatadas anormalidades que indicassem a necessidade de internação de urgência”, mas que mesmo assim a diretoria da maternidade já começou uma apuração interna para verificar se houve algum ato falho no atendimento prestado à paciente.