Apoiadores de Lula alugam terreno em frente à PF e moradores ficam ainda mais na bronca

Jaqueline Barreto

Depois de muita reclamação e até mesmo protestos por parte dos moradores do Santa Cândida, em Curitiba, os movimentos que apoiam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso há mais de 100 dias em Curitiba, alugaram um novo terreno. O espaço, alugado nesta segunda-feira (16), fica na Rua Professor Sandália Monzon, bem em frente à sede da Polícia Federal (PF), onde o petista segue detido.

A ideia desse novo terreno é fazer com que a vigília Lula Livre fique neste espaço. “Depois de proibirem a gente de deixar as barracas na Praça Olga Benário (que fica na Rua Guilherme Matter), os movimentos resolveram locar o terreno, que é privado, onde vai funcionar como ponto para os nossos atos”, explicou Regina Cruz, a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Paraná.

Segundo Regina, a ideia é fazer com que o terreno abrigue algumas tendas e seja um ponto mais fixo principalmente para o “bom dia” e “boa noite” Lula. “Mas nós não pretendemos sair dos pontos onde já estamos. A ideia é a de manter todos os espaços”, reforçou a representante da CUT.

O dinheiro usado para pagar o terreno seria de movimentos que apoiam o ex-presidente como o Partido dos Trabalhadores (PT), o Movimento Sem Terra (MST) e também a CUT. “Agora teremos um local apropriado para que possamos estar, sempre mantendo o apoio ao Lula e estando de uma forma pacifica como estivemos durante todo este tempo”, disse Regina, que não entrou em detalhes sobre valores e também não explicou de que forma os movimentos pretendem continuar nos pontos em que já estavam anteriormente.

O advogado Daniel Godoy, que representa a Vigília Lula Livre, explicou que o aluguel do terreno se deu para garantir mais tranquilidade a quem queira se manifestar a favor do ex-presidente e que os policiais militares não podem barrar a entrada e a saída das pessoas. “Não existe irregularidade nenhuma, pois é uma área privada, então não pode ser inclusive alvo de qualquer ação policial”, defendeu.Moradores na bronca

Mesmo com a mudança, os moradores do bairro continuam revoltados com a presença dos apoiadores do ex-presidente no entorno da PF. “Eles tiraram algumas tendas e disseram que vão começar a respeitar a liminar, que não ficariam mais em frente às nossas casas, mas hoje já estava todo mundo de volta”, contou uma moradora da Rua Guilherme Matter.

Para a mulher, os movimentos não vão sair dos pontos já ocupados. “Nossa opinião é de que estão fazendo mídia, querem aparecer. Não vão sair, estão inclusive reformando uma das casas que foram alugadas, na Guilherme Matter. Pelo menos agora, alugando um terreno bem próximo à PF, eles vão dar bom dia, boa tarde e boa noite para o presidiário ainda mais de perto”.

Audiência de conciliação

Depois de uma confusão, registrada entre os moradores e os manifestantes em junho, que acabou com bandeiras queimadas e alguns objetos quebrados, uma audiência de conciliação foi marcada. Na época, os apoiadores de Lula afirmavam que até poderia haver um acordo, mas que dependeria do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

A tentativa de acordo, sobre a liminar que proíbe a permanência da vigília na Rua Guilherme Matter, vai ser feita na tarde desta segunda-feira, no TJ-PR. O advogado que representa a Vigília Lula Livre explicou que, além das questões já conhecidas como a presença dos manifestantes na região, pretende também levar a situação do novo terreno alugado.

Os moradores do entorno da PF também vão acompanhar a audiência, mas não acreditam em muitos avanços. “Agora pouco passou uma mulher em frente à nossa casa e perguntou se éramos pessoas normais. Eu já nem sei mais o que é normal e nem sei mais o que esperar”, desabafou a moradora, que não se identificou.

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