Menino de rua com final feliz.

Risos Do Japão

O diretor Luiz Villaça mescla tensão e fantasia na tocante história real do garoto delinquente que se tornou O Contador de Histórias

AOS 13 ANOS DE IDADE, o mineiro Roberto Carlos Ramos era analfabeto, fugira da Febem de Belo Horizonte uma centena de vezes e recebera o diagnóstico de "irrecuperável" na instituição da qual a mãe tinha esperança que o filho saísse "doutor". A vida deu boas pancadas no menino que tinha tudo para ser marginal. Até o dia em que uma pedagoga francesa (interpretada por Maria de Medeiros) o resgatou das ruas, o alfabetizou e estimulou a mente criativa que inventava histórias para driblar a realidade. O que o cineasta Luiz Villaça retrata em O Contador de Histórias vai muito além dos efeitos da boa educação. Ramos se tornou educador e famoso contador de histórias porque conheceu o poder curativo do carinho.

A tensão e a violência estão lá, como em toda trama sobre jovens delinquentes, mas o cineasta anda na contramão de produções como Querô e Última Parada 174. O próprio Ramos é o narrador e Villaça substitui o fatalismo pelo lirismo e pela fantasia. A chegada à Febem vira uma ida ao circo, um movimentado assalto de rua parece uma pelada, a robusta professora de educação física ganha os contornos de um hipopótamo de couro azul remendado. É reconfortante ver a tragédia dar lugar ao encanto.

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