Após reunião no Planalto, caminhoneiros se dividem sobre fim da greve

Jhon Santos

Alguns representantes da categoria aceitaram pedido de trégua pelo governo, enquanto outro grupo defende manutenção do protesto

Após reunião no Palácio do Planalto na tarde desta quinta-feira (24/5), o movimento dos caminhoneiros grevistas sofreu um racha. A maioria das dez entidades que participou do encontro aceitou o pedido do governo para uma trégua na paralisação. No entanto, um outro grupo capitaneado pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) — que diz representar cerca de 700 mil caminhoneiros — rejeitou o pleito e mantém a paralisação.

Após o encontro, o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, disse que seu grupo manterá a greve até que o Senado Federal vote a proposta aprovada ontem na Câmara, que desonerou o imposto PIS/Cofins do óleo diesel.

Eu, que estou na frente desse movimento, vou falar para o meu pessoal que não vamos levantar o movimento enquanto esse homem — o presidente do Senado, Eunício Oliveira — não chegar aqui, convocar os senadores, votar e aprovar a lei"

José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam

Lopes ressaltou que,na reunião de hoje, o governo apenas apresentou um novo pedido de trégua e não uma proposta. O dirigente afirmou ainda que espera ter o apoio da maior parte dos caminhoneiros que estão em paralisação pelas rodovias do Brasil: “A maioria que está aí dentro [aceitou o pedido de trégua do governo] sim, mas a que está lá fora não. Eles estão esperando o meu pronunciamento, que é o mesmo de ontem. Só levantamos o movimento depois que estiver assinada e carimbada a lei que revoga dos combustíveis o Pis e a Cofins”.

A reunião teve início às 14h e se estendeu até pouco antes das 16h. Participaram do encontro os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha; da Secretaria de Governo, Carlos Marun; dos Transportes, Valter Casimiro; e do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen. Estavam presentes ainda representantes de dez entidades que representam os caminhoneiros.

Com a falta de entendimento uniforme, pelo menos parte da greve que já se estende por quatro dias está mantida. Nesta quinta (24), os efeitos da paralisação continuaram a ser sentidos em todo o Brasil. No Distrito Federal, motoristas enfrentaram filas enormes em postos de combustíveis e o litro da gasolina chegou a ser vendido por R$ 9,99.

Há também falta de gás de cozinha, limitações às compras em supermercados e aumento no preço de diversos itens. A batata e o tomate, por exemplo dobraram de preço na Ceasa. No Aeroporto de Brasília, só estão pousando aviões que tenham combustível suficiente para decolar, já que o terminal está em contingenciamento de querosene e só tem estoque até as 17h desta quinta.

Antes da entrar no palácio para a reunião, o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, Diumar Bueno, conversou com jornalistas e afirmou que, antes de deflagrar a paralisação, a categoria pediu ao governo que suspendesse os sucessivos reajustes nos combustíveis e iniciasse uma negociação. No entanto, segundo o dirigente, “o governo não teve responsabilidade é respeito e deixou esse movimento acontecer”.

Já quanto à promessa da Petrobras de não reajustar o preço do diesel por 15 dias, anunciada ontem, Bueno disse que o prazo “não é garantia nenhuma. Infelizmente a categoria não dá credibilidade a promessas feitas pelo governo. Queremos respostas conclusivas e com efeitos imediatos”, afirmou à imprensa.

Congresso Nacional

Sem acordo com o Executivo, a principal esperança dos manifestantes é o Congresso Nacional, que também analisa medidas que possam dar um fim à paralisação. Na noite de quarta (23), a Câmara aprovou uma proposta de desoneração do imposto PIS/Cofins sobre o diesel, maior reivindicação dos caminhoneiros.

Para ser levado à sanção presidencial, o projeto precisa ser votado pelo Senado. O presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), chegou a viajar nesta quinta mas decidiu retornar a Brasília diante da crise, e marcou uma reunião com líderes dos partidos da Casa para as 19h. O governo, no entanto, havia informado que não cogitava a desoneração do PIS/Cofins, o que coloca em dúvida a possibilidade de sanção do projeto.

Negociações anteriores

Representantes dos caminhoneiros e do governo federal já haviam participado de uma rodada de negociações na quarta (23). À ocasião, o Executivo pediu uma “trégua” na paralisação para que houvesse uma nova tentativa de acordo, mas o pedido também foi negado.

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