'Irmão Amigo': Grupo dá ajuda permanente para 160 famílias que vivem perto do lixão de Aparecida de Goiânia

Joãopaulo Rodrigues

rmão Amigo”: assim é chamado um grupo que doa alimentos, durante todo o ano, para 160 famílias da região do aterro sanitário, chamado de “lixão” de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Com atitudes de irmãos de sangue e de amizades verdadeiras, pessoas de diferentes profissões e religiões se unem durante todo o ano para ajudar quem vive em situação de negligência social.

O G1 publica neste fim de ano uma série de reportagens sobre pessoas que sempre se mobilizam para ajudar o próximo.

A tecnóloga em comércio exterior Mara Pessoni é uma das voluntárias do projeto. Ela conta que o grupo visita, duas vezes por mês, moradores do lixão, doam cestas básicas, promovem eventos, como a Festa Junina e o Natal, além de fazer atividades específicas com as crianças, com brincadeiras e orientações sobre higiene pessoal.

“São pessoas de extrema pobreza, que não tem comida, não tem casa, moram em barracas praticamente, e contam com essa ajuda para sobreviver. Então a gente doa um pouco do nosso tempo, mobilizando nossos amigos, muitas vezes tirando do próprio bolso, para poder dar comida, proporcionar o mínimo de bem-estar para pessoas extremamente trabalhadoras”, disse.

O Grupo Irmão Amigo é composto por aproximadamente 30 pessoas. Ele foi fundado há oito anos, depois que a corretora de imóveis Irenilda Candido Gomides Ribeiro foi até um imóvel próximo ao aterro e conheceu a história dos moradores da região. Ela então convocou os amigos com quem já desempenhava outras ações filantrópicas e, juntos, decidiram ajudar permanentemente as famílias.

“Nós visitamos as casas das famílias que já são cadastradas, fazemos um levantamento sobre o que está faltando, e suprimos estas necessidades, com a entrega da cesta, com ajuda com uma roupa, ou itens que estejam faltando para elas. É um trabalho mais ostensivo, in loco, para dar apoio a estas pessoas”, contou Mara.

Ela conta que as visitas do grupo na região ocorre no primeiro e no segundo domingo de cada mês. No primeiro, são entregues cestas com alimentos e itens de necessidade de cada família e, no segundo, as crianças são convocadas a participar de ações que estimulam o cuidado com a saúde e com a higiene pessoal. Todos os encontros ocorrem no campinho de terra que fica próximo ao local.

Força ao grupo

Mara Pessoni contou que atualmente o grupo, apesar de já assistir 160 famílias que moram na região, tem uma lista de espera com outras 50 famílias que precisam de ajuda da mesma forma como as que já recebem as cestas mensalmente. No entanto, segundo ela, os moradores só são incluídos no cadastro com quando o grupo tem a garantia de que poderão ajuda-los.

“Cada voluntário fica responsável por uma quantidade determinada de cestas, e de famílias. Desta forma, cada um se mobiliza para conseguir, é um trabalho de cada um dentro de um projeto coletivo. Por exemplo, se eu tenho 30 famílias para cuidar, eu preciso, de qualquer forma ter as 30 cestas para entregar no primeiro domingo de cada mês, porque as famílias precisam disso”, disse.

Os interessados em ajudar o projeto podem entrar em contato com o grupo por meio da página do Irmão Amigo nas redes sociais, para doar alimentos ou participar como voluntário das visitas e entrega dos mantimentos.

“Precisar a gente está sempre precisando de tudo. A pessoa tem que sentir o coração tocado, tem que ter a empatia, se colocar no lugar do outro. A partir do momento em que eu, que tenho casa, cama quentinha, comida, visito alguém que não tem, isso é muito forte. A gente se desespera e se sente completamente responsável pelo irmão, por ajudar”, revelou.

A voluntária contou que o grupo é formado por pessoas de diferentes religiões, mas o projeto não é vinculado a qualquer igreja ou movimento político. Ela afirma que o pré-requisito para participar é estar disposto a ser “amigo e irmão” de pessoas que precisam.

“Nós aceitamos qualquer tipo de ajuda, qualquer pessoa é muito bem vinda, seja um religioso, um político, o que for. Só que o objetivo ali é ajudar o próximo, esse é o sentido. A partir do momento em que estamos ali, estamos desvinculados de qualquer instituição política, religiosa ou partidária, estamos como seres humanos, como amigos e irmãos das famílias que ali moram”, destacou.

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