Governo lança campanha e pede que poloneses se reproduzam "como coelhos"

JogaLimpo

Taxa de natalidade na Polônia foi de 1,32 crianças por mulher em 2015, um número abaixo do mínimo de nascimentos necessários para evitar o envelhecimento da população, que se situa entre os 2,1 e 2,3 filhos.

OMinistério da Saúde da Polônia quer estimular o aumento da taxa de natalidade no país com um novo vídeo que mostra vários coelhos felizes e saltitantes no gramado, enquanto o narrador explica que o segredo para ter uma família grande é viver como estes animais, "fazendo exercícios, diminuindo o estresse e seguindo uma boa dieta".

A propaganda do governo começa com a câmera percorrendo o jardim e os coelhos fazendo diversas atividades. Em dado momento, um homem e uma mulher aparecem sentados, em um piquenique romântico no mesmo lugar, e, em seguida, o narrador pega um dos peludos e diz: "Se algum dia quiserem ser pais, sigam o exemplo dos coelhos".

Já faz algum tempo que o governo polonês está preocupado com os poucos filhos que os casais andam tendo e para tentar mudar esse cenário um programa oficial, que já teve custo superior aos 2,5 milhões de zlotys (R$ 2,2 milhões), foi lançado. A nova estratégia foi o anúncio, que será exibido na TV até o fim do ano.

Após a veiculação, as críticas e as brincadeiras nas redes sociais não demoraram.

Dentro desta estratégia, o governo da Polônia, um dos países mais católicos da Europa e, atualmente, nas mãos do partido nacionalista-conservador Lei e Justiça, promoveu em 2016 um plano de ajuda às famílias com mais de um filho, chamado 500+. Através desse projeto, as famílias recebem 500 zlotys (cerca de R$ 450) - livres de impostos - por cada filho adicional até que ele complete 18 anos.

No total, famílias com dois filhos recebem 6 mil zlotys (R$ 5.358) por ano, o que representa uma ajuda substancial.

As famílias com menos recursos, aquelas com renda inferior a 800 zlotys (R$ 715), também recebem ajuda, mas para ter o primeiro filho. Para o governo isso contribui para a coesão social e promove a natalidade também nos grupos mais desfavorecidos.

Segundo o Ministério de Trabalho, Família e Política Social, a estratégia de apoio à natalidade está funcionando. Conforme dados do primeiro semestre deste ano, 200 mil nascimentos foram registrados, 14 mil a mais do que no mesmo período de 2016.

No entanto, a oposição criticou o programa. Líderes dos partidos liberais Plataforma Popular e Nowoczesna consideram que essa é uma estratégia para comprar votos (conforme as últimas pesquisas, o Lei e Justiça aumentou o nível de popularidade desde que ganhou as eleições de 2015), e questionam a sustentabilidade desses subsídios.

Ninguém nega que a medida, que, por enquanto, beneficia 4 milhões de crianças, tem um custo elevado para o governo, que para compensar tenta captar receita através de impostos à grandes empresas, muitas delas estrangeiras.

Segundo a União Europeia, a taxa de natalidade na Polônia foi de 1,32 crianças por mulher em 2015, um número abaixo do mínimo de nascimentos necessários para evitar o envelhecimento da população, que se situa entre os 2,1 e 2,3 filhos.

Quase todos os países ocidentais estão abaixo deste nível, incluindo Reino Unido (1,8), Brasil (1,78), Estados Unidos (1,9) e Alemanha (1,4). Apenas Portugal (1,31) tem taxa de nascimentos mais baixa que a da Polônia.

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