Réu diz em júri que foi torturado na noite do assassinato do capitão Rodrigues

Jonatan

Agnaldo Lopes de Vasconcelos contou durante julgamento que recebeu choques, tapas e saco plástico na cabeça. Corregedoria da PM disse que não recebeu a denúncia.

O réu Agnaldo Lopes de Vasconcelos, acusado de matar o capitão da Polícia Militar Rodrigo Rodrigues, disse durante depoimento no júri popular nesta segunda-feira (4) que foi torturado com choques, tapas e saco plástico na cabeça. Ele conta que isso aconteceu na mesma noite em que o PM foi morto.

"Me algemaram a uma cadeira e ali começou a tortura, me bateram. Um deles arrancou um cabo de ventilador e colocou na tomada para me dar choque e usaram o taser [arma de choque]. Pegaram um saco plástico e colocaram sobre a minha cabeca até eu ficar sem ar. Continuaram as queimaduras dos tasers. Eu não sabia mais o que dizer pra eles e disse que meu irmão levou as imagens para a delegacia. Continuei levando murro e não aguentava mais", afirmou o réu.

O Comando da Polícia Militar informou por meio da assessoria de imprensa que, até então, nenhuma denúncia desse tipo foi apresentada à Corregedoria. A PM disse que não vai se pronunciar sobre a acusação no momento, já que há um julgamento em trânsito, mas que se após isso o réu ou seu advogado apresentar uma denúncia formal, os fatos serão apurados.

O capitão foi assassinado com um tiro no pescoço durante uma ocorrência policial no dia 9 de abril de 2016. Na ocasião, o capitão buscava na casa de Vasconcelos um suspeito de roubo de celular e acabou baleado. O acusado foi preso horas depois. Ele confessou o crime, mas disse que agiu em legítima defesa e afirma ainda que o que aconteceu foi uma fatalidade.

O réu está preso há 1 ano e 7 meses no Presídio Cyridião Durval e Silva.

Ainda durante julgamento, o juiz questionou sobre os disparos. "Da minha arma foram dois. Quando eu peguei a arma, um disparo acidental saiu de dentro da minha casa. Aí veio um disparo em minha direção e eu atirei outro", afirmou Vasconcelos ao ressaltar que atirou para cima, mas não mirou e não viu ninguém pois a iluminação estava baixa.

Antes de depor, o juiz leu as acusações e o réu alegou que era inocente. Ele disse que não atirou intencionalmente e que não possuía a munição referida na acusação.

"Nunca tive a intenção de tirar a vida do invasor da minha casa, muito menos de um membro da segurança pública. Então, eu queria aos familiares do capitão dizer meu perdão. Em nenhum momento sabia quem era a pessoa que estava na minha casa e não tive a intenção de tirar a vida", falou.

Teses de defesa e acusação

De acordo com o promotor de Justiça José Antônio Malta Marques, o Ministério Público trabalha com a tese de homicídio doloso, com a qualificadora de um crime cometido contra um agente de segurança de forma consciente.

"O réu quando desferiu o tiro sabia que quem estava ali era um policial militar. A pena nesses crimes é de 12 a 30 anos e deve se ter mais alguns porque ele [o réu] foi pego também na posse de munição não permitida. Ele aqui em juízo confessou que verbalizou com o capitão e que sabia que era polícia e que foi buscar a chave e ai aproveitou e apanhou a arma e desferiu o tiro no capitão", explica.

O advogado de defesa de Agnaldo Vasconcelos, Joanísio Pita de Omena Júnior, afirma que uma das teses que irá trabalhar no julgamento é a legítima defesa.

"Agnaldo se encontrava como qualquer cidadão comum, dentro do abrigo de sua residência. Era um sábado, 22h. Agnaldo tinha a consciência de que não praticou crime algum. Chega alguém e bate a sua porta e se identifica como vigilante”, falou.

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