O escândalo da separação de famílias de imigrantes irregulares, a política hiperagressiva de Donald Trump de separar pais e filhos quando cruzam a fronteira, provocou uma indignação que se refletiu neste sábado nas ruas dos Estados Unidos. Mais de 600 manifestações coordenadas em todos os Estados, sob o lema “Mantenha as famílias juntas”, serviram como uma demonstração de força que rivaliza com as convocatórias pelos direitos das mulheres, dando uma ideia do nível de indignação com a política de “tolerância zero” adotada por Trump, que nem o seu Partido Republicano se atreveu a defender.
Os manifestantes começaram a se reunir na Costa Leste por volta das 10h (hora local). A de Nova York partiu sob intenso calor da praça onde fica o tribunal federal de imigração, o maior dos Estados Unidos. As reivindicações dos manifestantes eram três: reunir imediatamente aos seus pais cerca de 2.000 crianças e adolescentes imigrantes que permanecem separados; acabar com essa política; e acabar com a detenção de famílias. Há uma semana, Trump assinou um decreto que teoricamente ia nessa direção. Mas os manifestantes neste sábado consideravam que ele não foi suficiente e pediam a definição de um plano preciso para reunir os menores aos seus pais.
“Estas detenções são deploráveis e antiamericanas”, disseram os organizadores do movimento Rise and Resist (“erga-se e resista”). “As famílias devem ficar juntas, e por isso precisamos acabar com isso agora.” Uma multidão cruzou a ponte do Brooklyn para se concentrar depois na praça Cadman. Outra marcha estava convocada em frente à Torre Trump, residência privada do presidente. “Trata-se de combater qualquer política que ameace a democracia, a igualdade e as liberdades civis”, acrescentou o ativista.
Os manifestantes insistiam em que não são radicais. “Chegamos até aqui”, dizia Rob, enquanto caminhava com sua família para o Brooklyn. “Senti que devia fazer mais. É uma política horrenda.” Maya, de 12 anos, vai a uma passeata pela primeira vez. “É importante se mobilizar”, diz, enquanto mostra um cartaz onde se lê: “Procurar refúgio não é crime”. Ela estava acompanhada da sua mãe, Diane, para quem a atual política “é contrária a todos os valores nos quais acreditamos”.
Entre os organizadores dos protestos se encontram sindicatos como a Aliança Nacional dos Trabalhadores Domésticos, que representa as babás. Muitas são imigrantes ilegais. Comentam que não viram uma mobilização nacional como esta nem na época das deportações expressas, no Governo de Barack Obama. Os responsáveis pela Coalizão da Imigração de Nova York acrescentam que essa luta vem de longe e não pode terminar apenas porque o presidente assinou uma ordem executiva. “Arrebataram milhares de crianças dos seus pais e as distribuíram por todo o país”, queixa-se Steven Choi, diretor-executivo dessa organização que dá assistência aos imigrantes. Estas mobilizações, insiste, servem para mostrar a solidariedade que os residentes legais têm em relação aos irregulares.