Ignorância.
Estupidez.
Impunidade.
E incompetência da Polícia Militar.
Esses ingredientes se misturaram em Campinas. E a torcida organizada da Ponte Preta colaborou, da maneira mais revoltante possível, e colaborou para o rebaixamento do clube para a Série B. O time de Eduardo Baptista abriu 2 a 0 contra o Vitória. Parecia que o Moisés Lucarelli seria palco de uma festa. O time dava um passo fundamental para escapar da Série B. Só que, muito aberta, a equipe se expôs para os contragolpes em velocidade do time baiano. Resultado. 3 a 2 para o Vitória, aos 37 minutos do segundo tempo.
O que fizeram os torcedores das organizadas da Ponte Preta? Resolveram se aproveitar da péssima segurança no estádio e inúmeros torcedores invadiram o gramado. Correram atrás dos jogadores da Ponte, do Vitória, dos juízes. Buscavam não as agressões. Mas tentar anular a partida. Só que tudo que conseguiram foram sabotar de vez o clube que dizem amar. A partida teria no mínimo mais 11 minutos. Oito até os 45 minutos e mais três de acréscimo pelas substituições.
A Ponte Preta teria 11 minutos para tentar escapar matematicamente do rebaixamento. Mas, com a invasão, o jogo não pôde voltar a ser disputado. A Polícia Militar decidiu esvaziar o estádio e avisar que não tinha condições de assegurar a segurança dos atletas e dos árbitros. Diante da posição da PM, representantes da Federação Paulista e da arbitragem decidiram pelo final da partida.
E com o placar de 3 a 2 para o Vitória confirmado.
A Ponte Preta está oficialmente na Segunda Divisão. Graças à sua incompetência. E, na partida fundamental, com a sabotagem de seus próprios torcedores. A selvageria custou os 11 minutos que o time tinha para se salvar. Os torcedores que foram detidos pela invasão ao estádio se aproveitarão da impunidade deste país. E o clube amargará a Segunda Divisão. É de envergonhar qualquer brasileiro que ame futebol.
A Polícia Militar sabia que era uma partida de altíssimo risco. As organizadas da Ponte Preta têm no currículo inúmeras confusões. Era a crônica da confusão anunciada, caso o time fracassasse. Mesmo assim, a PM não conseguiu evitar o vexame da invasão. Por pura sorte ninguém se machucou seriamente.
Porque os membros das organizadas se juntaram e arrebentaram as grades que protegiam o gramado. E, com pedras nas mãos, invadiram o campo, atrás dos atletas. Provocaram uma correria desabalada. Estava claro que o objetivo maior era parar a partida. Não agredir os atletas. Não é difícil analisar a premeditação do ato. Só que erraram no tempo. Se a confusão ocorre antes dos 30 minutos do segundo tempo, o jogo não seria considerado terminado. Como foi aos 37 minutos, tudo que fizeram foi enterrar de vez a Ponte Preta na Segunda Divisão.
Inaceitável tanta selvageria das organizadas.
Mas a incompetência da PM não pode passar em branco.
Ela é paga pela população para oferecer segurança.
E garantir a realização de um jogo.
Seja de alto risco ou não.
Não foi o que aconteceu em Campinas.
Os soldados só agiram depois da invasão.
Além do rebaixamento, a Ponte Preta deverá ser seriamente punida.
Os invasores?
Seguiram normalmente suas vidas.
Essa impunidade é o grande estímulo para esse vandalismo...
(Lamentável também foi a atitude do zagueiro Rodrigo. Experiente, vivido, com bom potencial. Em um jogo tão importante, cercado por câmeras, quis intimidar o atacante Tréllez do Vitória. Apelou para a mais baixa das provocações. Suas dedadas custaram a expulsão aos 20 minutos do primeiro tempo. Os 37 anos não deram o mínimo de responsabilidade em um momento tão importante para a Ponte Preta, clube que paga seu alto salário. Com um a menos, o time campineiro ficou à mercê dos baianos. E pagou com o rebaixamento. Outro enorme vexame...)