O mundo do funk protestou ontem contra o veto do prefeito Marcelo Crivella ao projeto de lei que declarava a “Enciclopédia do Funk” patrimônio imaterial do Rio. De autoria do então vereador Renato Moura, o projeto número 1905 de 2016 pretendia reverenciar a importância do movimento funk na história cultura negra e do subúrbio do Rio, mas foi barrado por Crivella, como noticiou ontem a coluna de Marina Caruso no Globo. O livro, primeiro volume de uma coleção de seis, é considerado a “bíblia do funk”, de autoria de Marcelo Gularte.
Valesca Popozuda criticou o prefeito e comparou importância do funk com a do samba para a cultura carioca.
— É difícil entender a cabeça das pessoas. Mas ele pode vetar o que quiser que não muda toda uma história. Infelizmente, ele mais uma vez dá uma bola fora. Já fez isso no carnaval e faz agora com o funk. Lamentável! — opinou.
Famoso desde a década de 90, quando o ritmo se popularizou no Rio, Leonardo Pereira, o Mc Leonardo, fez eco:
— Não estou surpreso com essa atitude, ele deveria ser prefeito de uma cidade evangélica. O Rio é macumbeiro, sambista e funkeiro. Por mais que agora estejamos em uma cidade calada, o Rio é uma cidade que grita — disse o MC, conhecido pela trilha do filme “Tropa de Elite”.
Já o autor da “Enciclopédia” acredita que seu trabalho contribui para uma cidade com memória mais justa.
— Respeito a posição do prefeito, que inclusive utilizou o contagiante funk “Baile de favela”, do MC João, como carro-chefe em campanha para prefeito do Rio, a mesma cidade que gestou na segunda metade do século 19 o choro, ritmo brasileiro. Depois, no início do século 20, o samba, que hoje é nossa identidade cultural no mundo, mas que em seus primórdios foi duramente perseguido — diz Gularte, que defende a luta do jovem negro no Rio por representatividade. — Nunca foi tão importante reconhecer o movimento black como hoje. É só sair na rua e ver a juventude lutando para conquistar seu espaço.