DJIBOUTI/MOSCOU/PEQUIM - O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, disse nesta sexta-feira que Donald Trump foi quem tomou, sozinho, a decisão de realizar conversas com o líder norte-coreano, Kim Jong Un. O convite de Kim a Trump provocou surpresa, numa oferta que inclui congelar os testes nucleares e de mísseis do regime norte-coreano que deixaram o mundo temeroso de uma guerra com os americanos. Trump disse estar preparado para encontrar com Kim, no que seria a primeira reunião cara a cara entre os líderes dos dois países e, possivelmente, marcaria um importante avanço na redução das tensões com Pyongyang.
— Essa é uma decisão que o próprio presidente tomou. Eu falei com ele bem cedo nesta manhã sobre essa decisão e nós tivemos uma conversa muito boa — disse Tillerson a repórteres durante visita ao Djibouti, acrescentando que serão necessárias "algumas semanas" para organizar o encontro. — O presidente Trump tem dito por algum tempo que ele estava aberto ao diálogo e que estaria disposto a encontrar com Kim quando as condições fossem certas — acrescentou.
A abertura demonstrada pelo líder note-coreano Kim Jong-un e sua vontade de discutir seu programa nuclear surpreenderam "um pouco" os Estados Unidos e levaram o presidente Donald Trump a aceitar um encontro, admitiu Tillerson:
— O que mudou foi sua posição, e de uma forma bastante espetacular. E, muito francamente, foi um pouco surpresa para nós que se tenha mostrado tão aberto — indicou o secretário. — Acredito que seja o informe mais positivo que já recebemos não apenas sobre a vontade de Kim Jong-un, mas sobre seu desejo real de discutir.
'DIREÇÃO CERTA'
Diante da iniciativa dos líderes de Coreia do Norte e Estados Unidos de se encontrarem em maio, ainda sem local e data exata marcada, a reação pública de países envolvidos na disputa na Península Coreana foi positiva. A decisão veio dias após as duas Coreias concordarem em realizar uma cúpula com uma reunião com os dois respectivos presidentes em abril.
Aliados tanto da Coreia do Norte como da Coreia do Sul na Península Coreana se manifestaram positivamente sobre o anúncio do encontro, incluindo Rússia e China, principais sócios comerciais do regime de Kim Jong-un. O ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que a decisão é "um passo na direção correta":
— Não deve ser apenas um encontro, deve abrir um caminho para retomar um processo diplomático de pleno direito para encontrar uma solução à questão nuclear da Coreia do Norte com base nos princípios acordados durante o Diálogo a Seis e o Conselho de Segurança da ONU — sustentou Lavrov, em referência à série de encontros entre Coreia do Norte, EUA, Rússia, Japão, Coreia do Sul e China entre 2003 e 2005 para lidar com a ameaça nuclear norte-coreana.