Veneza deseja receber menos turistas

Na trilha

Tempos atrás, Veneza era considerada uma potência marítima e mercantil. Hoje, no entanto, a cidade corre o sério risco de ser dominada pelos milhares de turistas que tomam suas ruas e canais, todos os dias. São mais de 20 milhões de visitantes por ano.

Tamanho movimento está deixando a cidade inabitável para os próprios venezianos, que, cada vez mais, estão abandonando suas casas. Em sua maioria, eles transformaram-nas em pousadas, colocando-as à disposição de turistas em sites de locações, como o AirBnb. No ano de 1951, Veneza tinha 175 mil habitantes: atualmente, eles não passam de 50 mil.

E tem mais: quem por lá ficou, viu uma invasão também de lojas de fast food e cacarecos. É difícil encontrar, por exemplo, supermercados e cinemas – por incrível que pareça, hoje não existe nenhuma sala de projeção funcionando por lá.

Em março, diversos moradores realizaram um protesto contra o turismo de massa e a degradação provocada pelo excesso de pessoas. Em julho, em um referendo informal, 18 mil habitantes votaram contra a permissão de ingresso de grandes navios de cruzeiro dentro da Laguna de Veneza.

A prefeitura informou que não permitirá a abertura de novas lojas de fast food, na busca por "preservar o decoro e as tradições" da cidade. Além disso, estuda-se limitar os acessos diários ao centro histórico da cidade.

Não foram poucas as vezes, afinal, que, nos últimos anos, Veneza irrompeu nas manchetes internacionais por conta de episódios de falta de educação e de falta de respeito ao seu patrimônio histórico e artístico advindo de turistas.

Foram vários os casos, por exemplo, de turistas que mergulharam nos canais; tiraram as roupas e se banharam em fontes; urinaram em ruas; saltaram de pontes históricas e, até mesmo, fizeram sexo no meio da cidade. Não por acaso, os cidadãos, indignados, resolveram retrucando, indo às ruas para protestar.

Fonte: G1

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