Jornal GGN – A defesa de Lula está indignada com um pedido feito no último dia 13 pelo procurador da Lava Jato de Curitiba, Januário Paludo, para manter a validade de conversas gravadas no escritório de advocacia onde atua Cristiano Zanin, um dos principais defensores do ex-presidente nos casos que tramitam sob Sergio Moro.
Paludo, que já ajudou Moro a defender outras polêmicas na operação, enviou ao Tribunal Regional Federal da 4a. Região um recurso pedindo para ter acesso a conversas interceptadas do escritório Teixeira, Martins & Advogados.
“Merece repúdio que um membro do Ministério Público Federal, que tem o dever constitucional de defender a ordem jurídica (art. 127) esteja defendendo a superação do sigilo legal inerente às conversas interceptadas, revelando profundo desprezo pela advocacia e pelas prerrogativas dos cerca de 25 advogados que integram o escritório Teixeira, Martins & Advogado”, escreveu o advogado Cristiano Zanin em nota, assinada por mais de 230 advogados.
No informe, Zanin lembra que, por equívoco de Moro e dos procuradores, o principal telefone do Teixeira, Martins & Advogados foi grampeado em 2016. Mas o Estatuto do Advogado assegura a “inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia”.
Caberá ao TRF-4 tomar uma decisão sobre a polêmica.
O procurador Januário Paludo já apareceu em outros imbróglios da Lava Jato. Na primeira semana do mês, ele defendeu que o bloqueio de bens contra o ex-presidente Lula e dona Marisa sejam mantidos por Moro.
“Apesar de o recurso ter sido ingressado no TRF-4, Sérgio Moro abasteceu-se de auto-defesas à sua determinação. Pediu a um dos mais antigos procuradores de sua equipe da Lava Jato que escrevesse um parecer justificando a suposta necessidade dos bloqueios”, publicou o GGN.
O blog também mostrou que Januário foi um dos procuradores que atuou na tomada de depoimento de Delcídio do Amaral. A delação do senador cassado foi centrada em ataques políticos, desde a época do mensalão, e acabou sofrendo um pedido de anulamento do próprio Ministério Público Federal em Brasília. Januário, nos vídeos com Delcídio, não aparece interessado em pedir detalhes sobre a corrupção na gestão FHC.
CLICK POLÍTICA com informações de brasil247