Um ato para relembrar 47 crianças que foram mortas em tiroteios no estado do Rio de Janeiro entre 2007 e 2018 foi realizado na manhã desta sexta-feira (30) na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A data da manifestação, promovida pela organização não governamental Rio de Paz, marca o primeiro aniversário de morte de Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, que foi atingida por uma bala perdida dentro da própria escola, em Acari.
Maria Eduarda estava no ginásio da Escola Municipal Daniel Piza quando foi atingida por tiros disparados por um policial militar do Rio de Janeiro que participava de uma operação na comunidade. Os policiais Fábio de Barros Dias e David Gomes Centeno foram denunciados por homicídio.
Os dois respondem em liberdade enquanto o processo corre na 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Militar, por enquanto, os dois estão executando trabalho administrativo, ou seja, não estão fazendo trabalho de patrulhamento ou policiamento de ruas.
“Para mim é como se tivesse sido ontem. Não vou esquecer nunca a Maria Eduarda, meu bebê. Ela estava estudando para ser aeromoça e atleta. É muita saudade. Eu durmo com a Maria Eduarda. Eu levanto com ela falando: 'mamãe, está na hora do colégio'. Minha filha não estava portando fuzil, minha filha não estava no baile dançando, minha filha estava dentro de uma escola. Os policiais chegaram e mataram o sonho da Maria Eduarda”, disse a mãe, Rosilene Alves Ferreira.
A família de Maria Eduarda pede ainda, na Justiça, uma indenização ao Estado. Os parentes também querem apoio psicológico para superar o trauma. A Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) ofereceu assistência jurídica à família da vítima, junto com a Defensoria Pública do Estado, mas, segundo o governo fluminense, os parentes optaram por utilizar os serviços de um advogado particular.
“Na época, a pasta ainda ofereceu assistência jurídica e social aos parentes da vítima, entretanto, não manifestaram interesse. A SEDHMI reforça a disponibilidade em oferecer apoio psicológico, jurídico e social”, diz a nota.