Filho de 11 anos ensina mãe catadora de lixo a ler e escrever

Para os Curiosos

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não mentem ainda existem 12,9 milhões de pessoas analfabetas no país. Este número corresponde a 8,3% da população com 15 anos ou mais. E não é novidade para ninguém que a Região Nordeste encontra-se com a maior taxa de analfabetismo no país, 14,8%. E apesar desses índices, há pessoas que nascem com a vontade de fazer mudanças e que podem começar dentro da sua própria casa. Isso faz jus à história do pequeno Damião de apenas 11 anos e que ensinou a mãe, de 42 anos, a ler e a escrever.

Há um ano atrás era impossível para Sandra Maria de Andrade ler ou escrever até mesmo se isso se tratasse do seu próprio nome. A vida escolar para ela foi encerrada quando precisou de trabalhar desde cedo. Aos 3 anos de idade foi impedida de frequentar as aulas, pois abandonada pela mãe foi dada pela avó para que outra família a criasse, porém esta última não permitiu que ela estudasse.

E, por conta disso, trabalhou em lavouras, na trituração de mandioca e também como faxineira. Ela via as outras crianças indo à escola e chorava, pois queria frequentar a escola como as outras meninas e meninos da sua idade. Aos 12 anos, Sandra fugiu de casa no intuito de encontrar novamente a mãe. Porém, foi rejeitada após várias tentativas. Sem outra alternativa e sozinha, ela foi morar na rua e comia o que encontrava no lixo. Aos 13 anos, um homem quis se casar com ela e lhe ofereceu casa e comida.

Sem alternativa, Sandra aceitou. Tiveram três filhos, mas Sandra sofria de violência doméstica. Em junho de 1996, ela fugiu levando os três filhos para longe do marido abusador. Na época, Sandra foi orientada a denunciá-lo, mas por falta de apoio não o fez. A vida sem a possibilidade de ler o que estava ao seu redor, dificultava até quando ela queria pegar um ônibus e aquelas no painel não faziam sentido algum. Sandra vivia pedindo para que outras pessoas lessem para ela.

Porém, a pior parte, segundo Sandra, ainda estava por vir. Quando foi fazer a sua carteira de identidade e não pôde assinar o próprio nome e teve que estampar o documento com uma impressão digital. Damião se compadeceu da situação da mãe e o garoto, filho de um segundo casamento com apenas 3 anos à época, prometeu a mãe que assim que soubesse ler e escrever, ensinaria à mãe. Naquele tempo, Sandra já catava lixo e apesar da amargura por ter enterrado 4 dos seus 7 filhos e da separação do marido, não escondia a alegria que era ver Damião indo e voltando da escola.

A cada chegada do filho da escola, ela sabia que ele seria tudo o que ela quis ser. O filho caçula também recebia muito incentivo da professora para que pegasse livros e também reforçasse o seu aprendizado com ela. E foi assim, quando ele começou a levar os livros para casa, que a mãe foi chamada por ele para aprender o que as histórias diziam. A mãe de Damião já havia tentado frequentar turmas para jovens e adultos, mas abandonou porque tinha muita dificuldade.

E foi aí que aos poucos e de uma forma muito didática, utilizando comparações como: o "R" é um "B" aberto e o "h" era uma cadeirinha, que Sandra aprendeu as letras do nome do filho e do seu. Logo depois, ela começou a escrever. Em uma participação em uma reunião de escola, morreu de orgulho quando assinou o seu nome com responsável pela criança. Damião incentiva muito a mãe a escrever e ler sobre os seus sentimentos. O menino afirma que ela gosta muito de falar de amor e paixão.

Leitura

No ano de 2016, Damião e Sandra, leram juntos 107 livros, contabilizando apenas os emprestados pela escola. Porém, com os livros que a catadora de lixo encontrou durante o seu trabalho, a lista fica mais extensa. O preferido dela é "Nínguém nasce genial", que já consta seu nome como dona dele. Segundo Sandra, a sua preferência se dá pelo livro porque ela sempre achou que não dava tempo ou estava muito tarde para aprender coisas novas, porém o tempo lhe provou o contrário.

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