O maior candidato de esquerda fora da disputa reforça o eleitorado de extrema-direita do ex-capitão. Marina Silva empata com Bolsonaro na margem de erro. O ex-presidente parece não ter sido muito afetado pela delação premiada de Antonio Palocci.
Era esperado que a delação premiada de Antonio Palocci fragilizasse mais Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais para 2018. Datafolha, DataPoder360 e Ibope ainda não divulgaram seus números, mas o levantamento da CNT/MDA, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, foi bastante favorável ao ex-presidente da República.
Na pesquisa para primeiro turno com respostas espontâneas, Lula tem 20,2% das intenções de voto. Na última edição da pesquisa, em fevereiro de 2017, o petista tinha 16,6% das intenções. O aumento nos números é maior que a margem de erro da pesquisa, de 2,2 pontos percentuais. No segundo lugar da pesquisa espontânea está o deputado Jair Bolsonaro. O ex-capitão subiu de 6,5% das intenções para 10,9%.
No levantamento estimulado de intenção de voto para primeiro turno, Lula aparece como o preferido de 32% dos entrevistados no seu pior desempenho. No melhor cenário para o petista, 32,7% votariam nele. Em todos os três cenários estimulados, Jair Bolsonaro é o segundo colocado. Ele tem de 18,4% a 19,8% das intenções. Em fevereiro, Marina Silva ocupava a segunda posição.
O levantamento da CNT/MDA foi realizado de 13 a 16 de setembro em 137 municípios de 25 unidades federativas. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Apesar do fenômeno Lula com o PT, há um dado preocupante na pesquisa.
Bolsonaro resiste e dá medo
Bolsonaro venceria os tucanos João Doria, Geraldo Alckmin e Aécio Neves em disputa de segundo turno à presidência da República em 2018. JairBolsonaro só seria derrotado por Lula. Dentro da margem de erro, o deputado empata com a líder da Rede, Marina Silva.
A maior vantagem de Bolsonaro seria sobre Aécio Neves. O tucano, já liquidado para as eleições de 2018, teria 13,9% dos votos, contra 32% ao deputado.
Ou seja, o PSDB patina em 10% e o candidato da extrema-direita chega até 30% cativos. É um populista de direita que brinca com apoio à ditadura militar e outras sandices.
O jogo da rejeição
Segundo a CNT, a rejeição de Lula é de 50,8%, contra 52,2% do deputado Jair Bolsonaro, o segundo colocado. A rejeição de Marina Silva (Rede) está no mesmo patamar que a de Bolsonaro, também em 52,2%.
Em seguida aparecem o prefeito de São Paulo, João Doria, com 53,6% de rejeição; Geraldo Alckmin, com 56%; Ciro Gomes, com 64,2%. Atingido pela delação da JBS, o senador Aécio é o possível candidato com o pior índice “potencial negativo”, como a CNT/MDA denomina a chamada rejeição dos candidatos.
O mineiro é rejeitado por 72,5% dos entrevistados.
Segundo somente essa pesquisa, se Lula for condenado em segunda instância no processo do triplex julgado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, ele é barrado nas eleições e Bolsonaro cresce.
A única candidata capaz de vencê-lo por uma margem pequena é Marina Silva.
Roubando a frase de Eduardo Cunha: "Que Deus tenha misericórdia dessa nação".