A coragem de Maya Gabeira não cabia mais nas aulas de ballet. Aos 13 anos, a menina destemida passou a buscar a onda perfeita ao redor do mundo. Não demorou muito e se apaixonou pelas ondas gigantes.
Mas Maya sofreu um acidente grave após cair de uma dessas ondas gigantes, no Canhão de Nazaré, em Portugal, em 2013. Cinco anos depois, voltou à mesma Praia do Norte, desta vez, para surfar uma onda estimada em 24 metros (aproximadamente um prédio de oito andares). A brasileira, hoje com 30 anos, briga para entrar no Guinnes Book.
"Comecei a surfar com 13 anos, em uma escolinha de surfe no Arpoador, incentivada por um namorado da época e amigos de escola. Eu dançava, fazia ballet e fiquei um tempo procurando outro esporte. Demorou para eu me sentir confortável dentro d´água. Foi uma coisa muito minha. Fui para a Austrália, morei lá, terminei o colégio e sonhei em surfar a onda perfeita.
Foi quando fui para o Havaí e pude ver as ondas gigantes, perfeitas e aquilo mexeu comigo. Logo na minha primeira temporada, decidi que queria focar naquilo, surfar os lugares que queria surfar e fui evoluindo. Ganhei meu primeiro prêmio e tive oportunidade de ter patrocinador, competir, trabalhar de garçonete no Havaí para me manter e aí comecei a ganhar dinheiro... E deu certo.
Sempre sonhei com esse momento que estou vivendo agora. A gente sonha com certas coisas e não tem muito controle se vai acontecer ou não. Em certos momentos da minha vida, o sonho fez parte, mas não sabia se iria alcançá-lo.
Quase morte em 2013
Já tive momentos de bastante exposição na minha carreira, com ondas em alguns lugares do mundo, mas ainda hoje não tinha conseguido pegar uma onda muito alta para correr atrás de toda a burocracia que existe para entrar no Guinnes.
O processo que tive de evolução no surfe foi fundamental para chegar até aqui. Se não tivesse conquistado minha plena forma e a possibilidade de não pensar em dor, não fazer fisioterapia todo o dia, era impossível fazer o que eu queria. A medida que meu corpo foi ficando 100%, esse é o primeiro passo. O resto fica uma coisa natural que você faz e se dedica.
Mesmo vindo de uma temporada muito boa, foi super-estressante esse momento. Em novembro, já tinha surfado a maior onda da minha vida. A previsão, desta vez, apontava para um dia histórico em condições que foi o meu acidente. Só isso já cria um clima diferente. A última vez que havia visto um mar daquele tamanho, havia sido no dia do meu acidente. A diferença é que agora estava muito mais preparada que em 2013.
É sempre estressante, uma adrenalina e você não sabe o que vai acontecer. Você fica tentando não pensar em coisas ruins, mas você acaba se questionando e acumulando a ansiedade até surfar. Ainda assim, não venci e não venço a ansiedade. Tento conviver com ela. Ela existe.