Preso no Centro de Detenção Provisória de Apodi por tráfico de drogas, Eider Filho, de 31 anos, conseguiu ficar acima da média no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, e vive a expectativa de cursar Educação Física. Por isso, o detento até já escreveu uma carta à Justiça para poder estudar caso a tão aguardada aprovação se confirme.
Eider Filho chegou a Apodi, no Oeste Potiguar, em 2016 após ser transferido de Natal, onde foi preso no mesmo ano dentro da Operação Telegrama, que desmantelou uma quadrilha que comercializava ecstasy, uma droga sintética. A condenação dele é de cinco anos e três meses, de acordo com Márcio Morais, diretor da unidade prisional.
“No terceiro mês preso aqui, ele ingressou em um projeto nosso em que o preso lê um livro, entrega um resumo para ser avaliado por professores e, dependendo da avaliação destes, ganha quatro dias a menos na prisão. Além disso, ele também trabalha na limpeza do CDP. Ganha um dia de redução de pena a cada três dias trabalhados”, contou Morais sobre a rotina do detento.
O diretor da unidade contou que no ano passado Eider Filho o procurou e disse que queria fazer o Enem. A matrícula foi feita. Ele poderia ter feito o exame com outras pessoas privadas de liberdade, porém como era o único detento matriculado concorreu no exame regular. Precisou de escolta para se deslocar ao local de prova, afinal é preso do regime fechado.
A média de Eider Filho foi 539,84 – a nacional se aproxima de 500. O feito dele deixou o diretor do CDP orgulhoso e inspirou outros detentos. “Um preso fazer o Enem normal, concorrendo com quem fez cursinho, e conseguir uma nota dessa mostra que ele quer mesmo mudar de vida. Por causa dele, outros presos já me procuraram e disseram que querem fazer também. Vou providenciar ‘aulões’ para eles”, disse Morais.
O diretor do CDP Apodi informou que o trabalho de ressocialização dos presos conta com o apoio do Ministério Público, da Secretaria de Justiça do Estado e do próprio Poder Judiciário, de quem espera amparo para Eider Filho. “Espero que a Justiça o deixe estudar caso ele confirme a aprovação. Todo mundo erra, sabe? Mas pode se redimir, e a educação é fundamental para isso”, concluiu.