Os aparelhos eletrônicos, em especial os celulares, são os artigos mais visados pelos criminosos em assaltos que ocorrem diariamente no Rio Grande do Norte. Embora a Secretaria do Estado de Segurança Pública (Sesed) não tenha números atualizados, em todo o país as estatísticas mostram que 50% do total de ocorrências de roubos, envolvem celulares. Para buscar prevenir a perda dos aparelhos, muitas pessoas têm buscado a opção de aderir a seguros.
Jacques Andrade, diretor secretário do Sindicato dos Corretores de Seguros do Rio Grande do Norte (Sincor-RN), explica que “o seguro é para equipamentos portáteis, não apenas celular. Engloba notebooks, tabletes e câmeras”. O serviço “cobre o roubo, que é a preocupação de todos. Mas também prejuízos causados por quedas e danos elétricos”, descreve o corretor.
Dados da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, indicam que no Brasil, em agosto de 2017, havia 116,53 celulares para cada 100 habitantes. Ou seja, há mais aparelho do que gente. Mesmo assim, o seguro destinado aos equipamentos portáteis ainda é desconhecido de grande parte da população.
“Ainda é um seguro restrito, até mesmo para seguradoras”, afirma Andrade. O presidente do Sincor, Alderi Alves de Moura, conta que em outros locais do Brasil, o serviço é mais conhecido do que em terras potiguares: “Nem todos têm conhecimento, ainda. Aqui a procura é pequena, mas em grandes centros é bem comum”.
Mesmo não sendo uma modalidade de seguros tão forte no estado, o presidente do Sincor demonstra que a tendência é crescer. “Há tendência de crescimento na busca por esse tipo de seguro, porque as pessoas estão se sentindo mais vulneráveis”, enfatizou Alderi.
A única hipótese que o seguro não cobre o furto é quando o aparelho fica à mostra dentro de um veículo, atraindo atenção dos criminosos.
Não seja a próxima vítima
A reportagem do PORTAL NO AR entrevistou o delegado Sérgio Leocádio, que também atua no mercado de segurança privada há oito anos, para buscar entender os motivos da obsessão de bandidos pelos aparelhos celulares.
“O problema hoje é que o aparelho celular deixou de ser apenas para fazer ligação. As pessoas estão começando a usar de forma viciante, e em local público. Hoje, para se proteger, não se pode fazer mais isso. A violência está muito grande aqui na nossa cidade. Em shows ou eventos as pessoas levam o aparelho, botam nos bolsos e outros furtam. A Festa do Boi desse ano bateu recorde em roubo de celulares”, destacou Leocádio.
Delegado Sérgio Leocádio aponta crescimento no roubo de celulares (Foto: Arquivo/ portal no Ar)
O delegado também lembra que as grandes redes de varejo do Brasil são alvos de assalto principalmente na sessão se smartphones.
“Hoje as pessoas estão tão prevenidas de arrastões, que chegam a levar um celular de menor valor para o ladrão. O smartphone fica escondido em meia e até em roupa íntima. O Estado não dá mais a segurança pública, e você tem que se prevenir”, reforça.
Leocádio explica simples cuidados para diminuir o risco. “Se deixar tablete, celular à mostra dentro de um carro estacionado, o ladrão arromba. O cidadão precisa ter cuidado pessoal ou será a próxima vítima”.
Segurança e custo benefício
A enfermeira Marcela Delgado, não esperou passar por uma situação de assalto para buscar a opção de um seguro. Ela conta que desde o momento da compra do novo aparelho, com custo de R$ 3 mil, foi buscar informações sobre o seguro para o modelo do seu celular.
“Eu troquei faz pouco tempo o meu celular por um Galaxy S8 e fui buscar informações sobre seguro de aparelhos, principalmente devido a essa onda de insegurança, de constantes assaltos, vejo muitos casos na região onde eu moro em Neópolis. Na loja da TIM me informaram uma opção de seguro, mas era muito caro, então fui buscar em seguradoras se havia esse tipo de cobertura”, afirmou Marcela que trabalha atualmente no município de Bom Jesus-RN.
Na seguradora, ela obteve uma proposta com melhor custo benefício. “O seguro ficou em média R$ 500, um valor que considerei justo em relação ao custo do aparelho, já tinha um seguro para carro e busquei também para celular. Pensando inicialmente em prevenir no caso de roubos, mas a cobertura também abrange outras situações que possam causar perda do aparelho. Nunca fui assaltada, graças a Deus, mas estou prevenida com o seguro”, destacou Marcela.
Jacques Andrade explica que o valor do seguro fica em média 10% a 20% do valor do equipamento. “Normalmente para celular só faz o seguro por um ano. Notebook e tablete por três anos, máquinas fotográficas até cinco. Isso porque a tecnologia atualiza muito rapidamente”, pontua.