A enfermidade chamada de Síndrome da Resignação, deixa crianças em estado praticamente vegetativo e confunde médicos por só se manifestar na Suécia. Ela afeta em sua quase totalidade crianças solicitantes de asilo ou refugiadas, que sofreram traumas. Todas simplesmente "desligam", param de andar, falar ou mesmo abrir os olhos. A boa notícia é que, algumas, se recuperam. Alguns médicos explicam a doença de forma mais subjetiva: “se a criança que foi vítima de alguma ação tão terrível do mundo, ela se tranca dentro de si mesma, desconectando as partes conscientes de seu cérebro", diz uma médica que cuida de Sophie, uma criança refugiada que vive na Suécia e que sofre do mal a quase três anos.
Não bastasse não ter uma razão específica para a enfermidade, outro mistério é que acontecem apenas na Suécia. Profissionais de saúde tratando dessas crianças argumentam que o trauma é a causa deste afastamento das crianças. As mais vulneráveis são justamente as que passaram por episódios de violência extrema ou cujas famílias fugiram de ambientes perigosos.
A Síndrome da Resignação foi reportada pela primeira vez na Suécia, nos anos 1990. Mas apenas no biênio 2003-05, mais de 400 casos foram registrados. As chamadas "crianças apáticas" se tornaram uma questão política no debate sobre as consequências da imigração na Suécia, país onde quase 15% da população é imigrante.
Na última década, o número de crianças afetadas pela síndrome diminuiu. O equivalente sueco ao Ministério da Saúde divulgou recentemente que houve 169 casos no biênio 2015-16. A doença parece afetar crianças de perfis geográficos e étnicos mais vulneráveis: aquelas da antiga União Soviética, dos Balcãs, crianças ciganas e, mais recentemente, yazidis. Apenas um pequeno número de afetados é de crianças desacompanhadas, muito poucas são asiáticas e nenhuma africana.
Ao contrário de Sophie, as crianças com a síndrome normalmente vivem na Suécia há anos quando ficam doentes, e já viviam vidas adaptadas ao estilo nórdico, falando até a língua local. Mas porquê na Suécia.? A explicação mais plausível é que podem exister alguns tipos de fatores socioculturais necessários que desenvolvam a condição. Os estudos sobre a síndrome até agora não detectaram o contato direto entre os casos, ou seja, não à contágio.
Uma corrente de médicos tratando de crianças com Síndrome da Resignação argumentam que elas se recuperam quando se sentem seguras e amadas. E que o direito permanente à residência é o que pode salvar a criança do limbo que a enfermidade apresenta.
Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/o-que-e-a-sindrome-da-resignacao-a-misteriosa-doenca-que-so-ocorre-na-suecia.ghtml