Projeto de lei proíbe palavras em inglês

HenriqueSendo

O projeto de lei foi aprovado em 2011, criado pelo deputado Luis Carrion (PCdoB-RS), diz que em caso de uso de palavras estrangeiras a lei forçará que haja uma tradução. De acordo com o deputado, a ideia não é punir as pessoas ou os estabelecimentos que fazem o uso de palavras estrangeiras, e sim fazer uso das palavras que já temos no português.

Deputado Luis Carrion

Como linguista me sinto em uma posição estranha ao discordar e concordar ao mesmo tempo com o deputado, uma vez que acredito que existem dois pontos muito interessantes que compõe essa crítica dele. O não uso do português para palavras consagradas e a ideia de que a língua portuguesa se perderá no meio de tantos anglicanismos.

Eu entendo o ponto de partida do Deputado que, talvez inconscientemente, veja algo que é muito comum no Brasil, a super valorização do inglês sobre as palavras. É só você ir ao shopping e ver a quantidade de “sales” que existem lá, ou os “coffeshops” distribuídos pela cidade, os “flats”, os “happy hours”, os “coffeebreaks” que temos por aí. Por mais que tenhamos palavras em português para essas palavras, aparentemente é muito mais “chic” (olha o inglês de novo aí) do que o português. E isso é uma questão cultural da nossa colonização que só acabou em alguns termos financeiramente, mas permanece na língua que usamos.

Nesse ponto eu concordo que exista um exagero nos termos usados do inglês em português, eu não compartilho a percepção de coisas que em inglês soam mais valiosas, mais bonitas, ou mais interessantes, mais vendáveis. Acredito que se temos palavras que podem expressar a mesma palavra em inglês elas poderiam ser usadas. Acho que esse é um dos maiores sintomas do nosso ainda existente colonialismo. (Mas quem sou eu pra falar sobre isso, meu canal no Youtube se chama Teacher I have a question?!)

Além disso, é preciso lembrar que pouquíssimas pessoas falam inglês, ou o entendem algo escrito na língua, então para que dificultar o acesso dessas pessoas à informação que normalmente já encontra as mais diversas barreiras a informação?

O segundo, que eu discordo completamente, é a ideia de que o fato de usarmos palavras do inglês pode acabar com a nossa língua portuguesa. Uma língua só tem a ganhar ao utilizar palavras de outras línguas, afinal de contas, quando paramos para pensar já utilizamos palavras que foram trazidas pelos nossos mais variados imigrantes através do tempo e se instalaram na nossa língua. Existem também palavras que ‘importamos’ pois não existem equivalentes em no português, exemplo disso são todas as palavras derivadas de tecnologia que vem diretamente do inglês.

Minha opinião final é de que quem cria a língua é quem a usa, ou seja, todos nós. E não somente aqueles que têm uma posição “privilegiada” que devem decidir o que é, e o que não é para ser dito e escrito. Até por que eles não tanto poder assim para controlar-nos. E você? Você acha que as palavras em inglês devem ser proibidas ou não? Quem tem o poder final de decidir o que deve e não deve ser dito e escrito?

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