Dados do Ministério Público mostram que 99 pessoas continuam desaparecidas em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. São vítimas da tragédia climática de janeiro de 2011, que nunca tiveram os corpos localizados. Ao todo, a chuva daquele ano matou 918 pessoas.
O corpo de Irani Leite (primeira à direita) é um dos que continuam desaparecidos (Foto: Reprodução | Inter TV) O corpo de Irani Leite (primeira à direita) é um dos que continuam desaparecidos (Foto: Reprodução | Inter TV)
O corpo de Irani Leite (primeira à direita) é um dos que continuam desaparecidos (Foto: Reprodução | Inter TV)
Em Petrópolis, famílias como a do pintor, José Ricardo de Souza Leite, vivem o drama de não terem enterrado os parentes. Ele perdeu o irmão e a mãe, Irani Leite, no Vale do Cuiabá. O corpo da mãe nunca foi achado.
"Esse ponto de não encontrar o corpo dela realmente deixa um vazio muito grande. Você não poder enterrar um ente querido, a sua mãe né? A sua própria mãe... E a gente não sabe nem onde ela está. Isso causa muita indignação para mim", diz ele, que acredita que o município e o estado deixaram a desejar nesse sentido.
Segundo o pintor, a mãe era uma mulher carinhosa com os filhos e netos. "É triste. Chega dia de finados, eu não consigo nem ir ao cemitério porque eu sei que minha mãe não está lá. É difícil para mim, muito difícil", disse José Ricardo.
A mulher dele, Luzimeire Leite, lembra detalhes daquele dia. "Eu já tinha ajudado a tirar o meu sogro e quando voltei para ajudar a minha sogra foi justamente a hora que veio uma onda imensa e aí meu marido falou: 'não olha para trás!'. Eu olhei e ela estava naquele desespero".
Luzimeire diz ainda que tentou segurar a sogra, mas não conseguiu. "Ela escapoliu da ponta dos nossos dedos e ali, naquele impacto, acho que pelo que ela estava vendo também ou ela infartou ou desmaiou", disse.
Segundo o Ministério Público, 13 pessoas ficaram desaparecidas em Petrópolis após a tragédia. Em Teresópolis, foram 74 e Nova Friburgo, 10. Além disso, houve dois registros sem informação de cidade.
Questionado sobre de quem seria a responsabilidade de continuar procurando essas vítimas desaparecidas, o MP disse que seria a Secretaria de Defesa Civil do Estado. Em nota, a secretaria disse que terminou o trabalho de buscas em 2011 no local.
O MP foi questionado novamente, mas não retornou até a publicação desta matéria.