Dominante desde 1994, a polarização entre PSDB e PT vai continuar durante as eleições de 2018. Não que os candidatos dos dois partidos, Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva — virtualmente inelegível pela Lei da Ficha Limpa e que deve ser substituído por Fernando Haddad (PT) no decorrer da campanha — estejam garantidos no segundo turno, mas, sim, porque vão liderar com folga a exposição durante os blocos destinados aos presidenciáveis na propaganda televisiva, que começa no dia 31.
A vantagem é tanta que, somados, PSDB e PT vão ocupar perto de oito dos doze minutos e trinta segundos reservados aos candidatos à Presidência, o que representa mais de 63% do total. A maior parte desse índice vem do partido tucano, que, nas três vezes por semana em que o programa for ao ar, terá cinco minutos e 33 segundos para expor suas ideias. Mesmo que somados os tempos de TV de todos os candidatos, com exceção do candidato petista, ainda faltarão dois minutos para que se atinja o índice do tucano — que, ainda, poderia ser até maior, se não fosse uma limitação imposta pela Justiça Eleitoral.
As regras determinam que, se um candidato à Presidência ou ao governo de um estado tem mais do que seis partidos em sua chapa, ele só pode aproveitar as cotas das maiores legendas, sendo obrigado a abrir mão das demais para serem redistribuídas. A somatória de Alckmin é fruto do tempo igual dado a todos os candidatos mais as proporções representadas pelo PSDB, pelo PP, da candidata a vice Ana Amélia, e por PSD, PR, PTB e DEM. Já o restante, PRB, SD e PPS se somam a PSB, PMN e PMB, que se declararam neutros na disputa.
O PT chegou à segunda colocação do ranking com os acertos do final de semana – as alianças com PCO, Pros e PCdoB. O candidato do partido vai superar o tempo do ex-ministro Henrique Meirelles, que se beneficia do gigantismo do MDB e ganhou mais alguns segundos ao fechar com o PHS, ficando como o terceiro com maior exibição na televisão.
Depois do trio dos maiores partidos, o segundo bloco de candidatos, na faixa dos quarenta segundos, é formado por Alvaro Dias (Podemos) e Ciro Gomes (PDT). Marina Silva (Rede), com 22 segundos, e Guilherme Boulos (PSOL), com 14, devem conseguir construir uma frase, mas talvez não duas.
O rei dos nanicos
Abaixo de Boulos, seis – ou seja, quase metade dos treze candidatos – não chegam a ter dez segundos no horário eleitoral e pouco devem conseguir além de divulgar suas redes sociais e tentar atrair os eleitores para ouvi-los em outros canais. É o caso do líder das pesquisas, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), que, mesmo tendo se coligado com o PRTB, não conseguiu obter mais do que nove segundos.
O desafio do candidato do PSL é mostrar que o tempo de televisão não tem mais o mesmo peso de eleições anteriores e que as redes sociais, que basicamente o trouxeram até a casa dos 20% das intenções de voto que ostenta hoje, são capazes de fazê-lo ir até o segundo turno e ganhar a eleição.
Política 6 ago 2018 - 20h08
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Sem a mesma audiência nos meios digitais e intenções de voto que Bolsonaro carrega, outros cinco candidatos também não chegam a dois dígitos de tempo no horário eleitoral televisivo. De partidos com candidatos ao Congresso eleitos em 2014, Cabo Daciolo (Patriota) e José Maria Eymael (DC) têm os mesmos nove segundos de Bolsonaro, enquanto João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPL) e Vera Lúcia Dias (PSTU) ficarão com apenas seis segundos.
Veja o ranking completo:
Como o tempo é calculado
O horário eleitoral para os candidatos a presidente da República consistirá em um espaço de 12 minutos e trinta segundos três vezes por semana. Desse total, 10% é dividido igualitariamente entre todos os candidatos, enquanto os outros 90% levam em conta o número de deputados federais de cada partido. O mesmo vale para os setenta minutos relativos às inserções de trinta segundos e um minuto ao longo dos dias, que serão divididas pelas legendas entre os postulantes aos diversos cargos.
O índice de cada partido para essa divisão proporcional é a quantidade de parlamentares que cada um elegeu no pleito de 2014. Assim, os deputados não levam a sua “cota” quando mudam de legenda. Os únicos que fogem a essa regra são os dois que deixaram seus partidos originais para fundar um novo e permanecem nele até agora – são os casos de Miro Teixeira e João Derly, que deixaram, respectivamente, Pros e PCdoB para participar da criação da Rede Sustentabilidade em 2015.