Enquanto Florence não vem

VEJA
Policiais federais escoltam Adelio Bispo de Oliveira durante transferência para presídio federal em Campo Grande (MS). Adelio é suspeito de esfaquear Jair Bolsonaro durante ato eleitoral em Juiz de Fora (MG) - 08/09/2018 (Ricardo Moraes/Reuters)

Cada um tem os seus. Real ou virtual. A costa leste americana espera o furacão Florence para quinta-feira, 13. Real. Babando ventos de 209km/h e ameaça 4 em escala 5 de fúria. Vem que vem alcançar as duas Carolinas – Norte e Sul.

Susto eterno nas paragens americanas, chega sempre anunciado para que cada um tome lá suas providências salvadoras.

Os nossos, virtuais, vêm em torrentes. Sem deixar tomar fôlego. Um atrás do outro, de origem distinta ou não, juntos ou separados, vez por outra geminados, simultâneos, sequenciais.

Em escala nunca menor do que 4 de perigo, não há serviço de meteorologia capaz de prevê-los. Incomum é o comum entre eles.

Durma com um barulho desses?

Mais de 40% dos brasileiros padecem de insônia, 30% são hipertensos, 7 em cada 10 dos nossos conterrâneos sofrem de gastrite.

Não durma que o bagulho é esse. Pesado.

Feito novela, que a cada 10 capítulo precisa de uma grande virada, o Brasil ta vidrado nas viradas. Do fogo à faca numa semana só.

Suspenses sem respostas.

Quem fuzilou Marielle e Anderson? Quem atirou na caravana de Lula? Quem mata os que morrem todo dia no Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Recife, do Chuí ao Oiapoque? Quem morre a gente sabe. Quem mata é mais difícil, difuso. Um visível invisível.

80% dos homicídios no Brasil não são solucionados. Matou-se 60 mil pessoas no ano passado.

Fica por isso mesmo. Fica sem resposta do Estado. Fica na cara de pau da autoridade constituída.

O Florence chega na quinta. Quando vai chegar à história do homem da faca de Juiz de Fora? Quem e quando chega nele? Chega?

Rola o capitulo faca. Viradas só em especulação, insinuação, fake news, fácil news.

Quem é o homem da faca, ajudante de pedreiro, morador de pocilgas? Pobre e viajante contumaz que, mambembe, rolava de lá pra cá – de Brasília, para uma escola de tiro de Santa Catarina, rodava Minas , parou em Juiz de Fora/MG?

Que Adélio é esse Adélio? Bispo peão?

Florence chega na quinta. Lá. Real. Por aqui, qual o próximo furacão, assombração a nos roubar o sono?

Tânia Fusco é jornalista, mineira, observadora, curiosa, risonha e palpiteira, mãe de três filhos, avó de dois netos. Vive em Brasília. Às terças escreve sobre comportamentos e coisinhas do cotidiano – relevantes ou nem tanto

0
0
おすすめ