Família de morto na Rocinha diz que ele deixaria comunidade neste sábado

Vinicius Alves

A mãe de Matheus Duarte de Oliveira, um dos oito mortos em tiroteio ocorrido pela manhã na Rocinha, disse que iria neste sábado buscar o filho para que ele passasse um tempo morando com ela em Santa Cruz. Ela estava preocupada com a violência e os tiroteios frequentes na comunidade da Zona Sul. Os dois adiaram os planos porque, na sexta-feira, o jovem faria uma apresentação com um grupo de valsa e ontem queria ir ao baile funk. Ela conta que o filho já foi agredido por policiais em uma barbearia da Rocinha na frente do irmão de 8 anos de idade. Matheus foi criado desde os 3 anos pela avó, que mora na Rocinha.

— Eu estava vindo hoje para buscar ele para ficar lá em casa. Eu ia levá-lo até que a poeira da Rocinha baixasse, mas não deu tempo — lamenta a mãe da vítima. — Eu sou nascida e criada na Rocinha e nunca vi violência igual. Eles (os policiais) entram e fazem o que eles querem, não querem nem saber se são inocentes ou crianças.

Ela diz que agora espera que a morte de Matheus seja investigada e que os responsáveis sejam punidos:

— Meu filho não chegou nem aos 20 anos. Ele era jovem, gostava de funk e de ficar com as turminhas dele. Mas nunca teve envolvimento com o tráfico. Ninguém pode afirmar que ele era bandido.

O pai de Matheus, um cobrador de van que mora na Rocinha, disse que o sonho do filho era ser paraquedista do Exército:

— Ele dizia: “vou arrumar um trabalho para ajudar o senhor, como o senhor sempre me ajudou” — conta o homem, que tem uma tatuagem com o nome do filho.

Medo toma a Rocinha após mortes

O clima na Rocinha era de aparente tranquilidade na tarde deste sábado após um tiroteio ter deixado oito pessoas mortas, segundo a Polícia Civil, após uma ação do Batalhão de Choque na localidade Roupa Suja. O comércio estava aberto, e o policiamento reforçado.

Policiais da UPP e do Choque revistavam motoristas e pedestres que deixavam a comunidade. Pessoas foram detidas para averiguação na 11ª DP (Rocinha). Quando a reportagem esteve na unidade, dois adolescentes tentavam fazer contato com os pais para serem autorizados pelos policiais a deixarem a unidade.

Moradores estão com medo de falar sobre a ação da polícia, mas um deles disse que a comunidade virou “um inferno” desde o início das operações continuadas do Choque, porque os episódios de truculência aumentaram. Outros moradores acreditam que o tiroteio da manhã deste sábado é uma retaliação à morte do PM Felipe Mesquita, na quarta-feira.

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