Encontros com Shevchenko foram decisivos para Marlos defender a Ucrânia

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Natural de São José dos Pinhais, no Paraná, o meia Marlos foi revelado pelo Coritiba, passou pelo São Paulo e depois foi viver o sonho de jogar na Europa. O passaporte de entrada no Velho Continente chegou em 2012, e o destino acabou sendo a Ucrânia, onde acertou com o Metalist. Ele jamais poderia imaginar que a então aposta na carreira seria um passo decisivo para sua vida pessoal e profissional. Hoje é um dos destaques do Shakhtar Donetsk, clube que defende desde 2014, se tornou cidadão ucraniano e acabou convocado para defender a seleção nacional. O processo foi longo, contou com vários encontros com o ídolo e técnico da equipe, Andriy Shevchenko, além da aceitação de jogadores e dirigentes. Nesta sexta-feira terá mais uma chance de provar o seu valor no amistoso contra a Eslováquia.

Marlos revela que pensou durante bastante tempo na possibilidade de defender a Ucrânia, ainda vibra com o carinho dos torcedores, mas lamenta a derrota por 2 a 0 para a Croácia no último jogo das eliminatórias que deixou o país fora da Copa de 2018. Ele só conseguiu a liberação para jogar pela equipe nacional nas duas últimas rodadas das eliminatórias, quando a situação estava muito complicada na briga por uma vaga na Rússia.

- Eu vinha estudando essa possibilidade há alguns anos, a ideia veio amadurecendo com o tempo, com o clube. E isso foi ganhando forma, crescendo. Espero que com o tempo isso possa dar frutos não só para os torcedores, mas também para o meu trabalho. Tive algumas reuniões com o Shevchenko, optamos por tirar a cidadania. Mas só tive a possibilidade de jogar (pela seleção) faltando apenas dois jogos nas eliminatórias. Foi uma pena não ter classificado para a Copa, queria ter ajudado mais. Fiquei triste pelo resultado, mas feliz por ter jogado pelo país - disse Marlos.

Você se sente tão ucraniano quanto brasileiro?

Como jogador de futebol, tenho quase o mesmo tempo aqui do que no Brasil. Claro que minha cultura e minha família são do Brasil. Mas na Ucrânia aprendi muita coisa. Meus filhos e esposa vivem aqui, acredito que culturalmente sou brasileiro, mas também tenho um pedaço na Ucrânia. Aprendi a gostar de viver aqui.

E com todo esse carinho pela Ucrânia, como foi sua reação após a derrota para a Croácia?

Foi difícil, porque eu tinha essa missão na minha carreira. Jogar uma Copa do Mundo, não pela questão individual, mas ajudar na classificação da Ucrânia. Foi um desafio que não conseguimos, fico triste por não ter jogado antes.

Uma vaga na Eurocopa de 2020 pode servir como consolo?

É mais uma competição importante, um desafio pessoal de classificar a Ucrânia. É uma competição importante e agora vou começar do zero, espero poder ajudar muito. Mas não posso dizer sobre o futuro, prefiro viver o presente. Gosto de trabalhar para estar bem fisicamente e tecnicamente.

Por conta dos conflitos no leste do país, o também brasileiro naturalizado ucraniano Edmar levou um susto ao receber uma convocação do exército. Você tem esse receio?

Falei com o Edmar, joguei com ele no Metalist. Ajudou muito na minha escolha, mas disse para eu ficar tranquilo. Mas ele não recebeu essa convocação, hoje vive nos Estados Unidos. Não tenho esse medo, nenhum tipo de receio. Quero sempre o bem para o povo, quero que pare esse conflito e que as pessoas possam viver em paz. A situação melhorou, comparado ao que aconteceu. Tivemos um jogo a 70 quilômetros de Donetsk, estava tudo normal, nenhum problema. Muitas pessoas de Donetsk foram ao jogo, torcedores do Shakhtar. Então acho que as coisas estão melhorando. Espero que a equipe possa voltar para casa. Hoje nossa preocupação é dar felicidade ao povo, nosso presidente ajuda muito. Nós sempre fazemos caridade, eventos para ajudar as pessoas, ajudar crianças. É uma situação difícil. O clube saiu, mas o coração ficou lá

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