Alexandre Pato está voltando para o Inter. O atacante rescindiu contrato com o São Paulo e pretende assinar um acordo de três anos com o clube gaúcho. Será uma volta para casa, onde começou a carreira, em 2005. Pelo momento, faria uma “parceria” com ele, o remunerando por produtividade.
Acompanhei todo o início de carreira de Pato. Grande nome das categorias de base colorada, Pato era visto como craque aos 16 anos. Na época, a diretoria “escondeu” o jogador para ele não ser contratado por gigantes europeus. Em 2006, aos 17 anos, estreou contra o Palmeiras na reta final da Série A e impressionou todo mundo ao marcar um gol e “destruir” a defesa adversária. O projeto de grande nome já estava montado.
Em seguida, estive no Mundial de Clubes, no Japão, e Pato encarou o torneio com naturalidade, fazendo um gol contra o Al-Ahly e atuando bem na vitória sobre o Barcelona, na conquista do título. Virou o ano no Inter, mas as propostas começaram a chegar, até ser negociado com o Milan por 20 milhões de dólares.
O sucesso veio com a velocidade do bom futebol. Talvez o fato de ter ficado milionário rapidamente, o deixou sem “fome”, na busca por desafios. Depois que deixou o Milan, nunca mais foi o mesmo que encantou a todos em curto prazo. Sua passagem pelo Corinthians ficou carimbada por um pênalti batido com displicência numa decisão de vaga na Copa do Brasil. Tite, técnico na ocasião, desistiu do atacante.
No São Paulo, se reencontrou e fez 38 gols em 98 partidas, causando boa impressão, novamente. Rodou por outros países até retornar ao tricolor, em 2019. Com discurso renovado, Pato não conseguiu convencer e terminou sua trajetória recente de forma melancólica, apesar de tecnicamente ainda ser superior a muitos companheiros.
Agora, próximo dos 31 anos, Pato tem mais uma oportunidade para calar os críticos, com bola e atuações convincentes. Hoje, construiu um rótulo negativo de aéreo, desligado e pouco comprometido. Chegará ao Inter sob muita desconfiança e só com gols e competitividade ganhará apoio da torcida e opinião pública.
Pato nunca desaprendeu e recebe mais uma chance. Talvez, a última. A bola só está com ele.