A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados enviou à PGR (Procuradoria-Geral da República) um pedido de investigação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo monitoramento do Palácio do Planalto sobre 116 parlamentares, incluindo 105 deputados, nove senadores, uma deputada estadual (Janaina Paschoal, do PSL/SP) e um vereador (Carlos Bolsonaro, do Republicanos/RJ).
De acordo com reportagem da revista Época, sete parlamentares monitorados pelo Planalto são do PSOL: Áurea Carolina (MG), David Miranda (RJ), Edmilson Rodrigues (PA), Fernanda Melchionna (RS), Marcelo Freixo (RJ), Sâmia Bomfim (SP) e Talíria Petrone (RJ).
“A notícia do monitoramento de Parlamentares, eleitos democraticamente, causa espanto e vulnera o Estado de Direito e o processo Democrático no Brasil — conferindo graves ataques à liberdade de reunião e expressão e a liberdade parlamentar. Tal prática, comum em regimes ditatoriais, não pode ser permitida na democracia”, afirma a representação da legenda.
Os parlamentares também solicitaram investigações da PGR sobre Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, e Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência.
“O monitoramento de Parlamentares é mais uma peça do quebra-cabeça autoritário que visa a desmontar a Constituição democrática de 1988”, seguiu o documento enviado à PGR na última sexta-feira (20).
A representação foi assinada pela líder do PSOL na Casa, Sâmia Bomfim, e os deputados Ivan Valente, Luiza Erundina, Fernanda Melchionna, Áurea Carolina, Talíria Petrone, Edmilson Rodrigues, Glauber Braga, Marcelo Freixo e David Miranda.
Segundo a publicação, o Palácio do Planalto monitorou, com dinheiro público, redes sociais de pelo menos 116 parlamentares, além de jornalistas. Relatórios mostram o monitoramento em fevereiro, março e abril deste ano, produzidos a pedido da Secretaria de Governo e da Secretaria de Comunicação. A Presidência impôs sigilo a esses documentos, alegando tratar-se de um “trabalho autoral” da empresa contratada para o serviço.