Pezão diz que Rio, sozinho, não consegue deter guerra de facções

YdenisNoticiario

O governador Luiz Fernando Pezão disse neta sexta-feira (16) que o Rio de Janeiro não tem condições, sozinho, de "deter" a violência que atinge o estado e que precisa contar com o auxílio do governo federal e das forças armadas para enfrentar as facções criminosas que atuam no estado.

Pezão fez a declaração durante a cerimônia, no Palácio do Planalto, em Brasília, em que foi assinado decreto de intervenção federal na área de segurança pública do Rio. Assinaram o decreto mais cedo nesta sexta, além de Pezão, o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

A medida prevê que as Forças Armadas assumam a responsabilidade do comando das Polícias Civil e Militar no estado do Rio até o dia 31 de dezembro de 2018. A decisão ainda terá que passar pelo Congresso Nacional. O inteventor federal será o general Walter Souza Braga Netto, comandante do Leste.

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"O Rio de Janeiro tem pressa e tem urgência. Nós só com a Polícia Militar e a Polícia Civil não estamos conseguindo deter a guerra entre facções no nosso estado", disse Pezão.

O governador ressaltou que seria "impossível" combater o crime organizado no Rio sem a intervenção federal.

"Se não contarmos com toda essa integração, com toda essa força, é impossível se combater a entrada de armadas, munição e drogas", disse. "Que a gente consiga, com esa união de esforços, vencer a bandidagem no Rio de Janeiro", completou.

Apoio e ocupação desordenada

Em seu discurso, Pezão também afirmou que, por ser ex-capital do país, o estado já deveria contar com apoio do governo federal na área de segurança, assim como acorre na área de saúde, em que o estado conta com hospitais federais. "Tudo o que está aqui [em Brasília] saiu do estado do Rio de Janeiro", disse.

O governador disse ainda que o estado é cortado por rodovias federais e que "paga o preço" da ocupação desordenada.

Pezão fez um agradecimento ao secretário de Segurança Pública do Rio, Roberto Sá, que será afastado do cargo durante a intervenção, mas apontou que a entrega do controle da segurança ao governo federal é necessária porque o estado "precisa de uma força maior."

Metástase

Em discurso na solenidade de assinatura do decreto, o presidente Michel Temer comparou o crime organizado que atua no Rio de Janeiro a uma metástase e que, por isso, o governo federal tomou a decisão de intervir no estado.

"O crime organizado quase tomou conta do estado do Rio de Janeiro. É uma metáste que se espalha pelo país e ameaça a tranquilidade do nosso povo. Por isso acabamos de decretar neste momento a intervenção federal da área da segurança pública do Rio de Janeiro", completou Temer.

Temer discursa após assinar intervenção na segurança do Rio

O presidente afirmou que o momento pede uma medida "extrema". Ele ressaltou que o governo dará as respostas "firmes" para derrotar o crime organizado.

"Tomo esta medida extrema porque as circunstâncias assim exigem. O governo dará respostas duras, firmes e adotará todas as providêncais necessárias para enfrentar e derrotar o crime organizado e as quadrilhas", disse Temer.

Ele também afirmou que a intervenção federal tem o objetivo de "restabelecer a ordem". O presidente informou que enviará ainda nesta sexta ao Congresso o ato e que a intervenção tem "vigência imediata".

Leis mais duras

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu que o governo faça um bom planejamento da atuação no Rio de Janeiro para que a intervenção tenha sucesso. Segundo ele, o Congresso vai trabalhar para aprovar uma legislação que endureça as formas de combate ao crime organizado.

"Chegou a hora de dar um passo à frente da intervenção. A lei precisa ser mais dura e o combate ao crime organizado precisa de leis modernas e mais duras", disse.

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