Aos 35 anos, Leandra Leal padece no paraíso das mães. Aquele lugar que tem uma bifurcação entre o orgulho e a culpa. Atriz, mãe, empreendedora, diretora, mulher... São muitos os papéis desempenhados por essa moça. “Tento fazer o melhor, mas é uma cobrança, né? Tenho sorte de ter grande amigos e amar o que faço. Assim fica mais fácil”, observa.
Leandra ainda está à frente há dois anos e meio do Teatro Rival Petrobrás, no Centro do Rio, palco da miulitância e resistência pela igualdade de gêneros: “Minha família resiste com este espaço há muito tempo. Dou continuidade e confesso, é uma loucura”.
A insanidade a que se refere está em conciliar a porção empreendedora com a artística e ainda o lado materno. A filha Júlia, que acaba de completar 4 anos, está aprendendo o tipo de mãe que tem em casa. “Jamais disse a ela que preciso trabalhar pra levar dinheiro para casa. Não! Eu digo: ‘mamãe vai trabalhar porque gosta muito’. Mas é claro que sinto culpa quando tenho que deixá-la, me desdobro, me questiono. Como toda mãe, eu acho”, justifica.
Quando é necessário, Júlia vai junto. Repetindo um papel que Leandra desempenhou em sua infância: “Também estava em coxia de teatro com a minha mãe, era pequena e me lembro como um fato normal. Não sei se isso vai incutir nela o lado artístico, não é uma preocuypação. Quero que ela entenda esse processo. Que é importante trabalhar e gostar do que faz”.