Adolfo Pérez Esquivel: “Pretendo indicar Lula ao Nobel da Paz”

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Em visita ao Brasil, ativista argentino e vencedor do prêmio sueco em 1980 acredita que ex-presidente levaria a condecoração por tudo que fez ao país

Pérez Esquivel, que já havia se posicionado contra o golpe de estado em 2016 no Brasil, fez duras críticas ao que chamou de perseguição contra o ex-presidente Lula. “Temos que prestar nossa solidariedade e apoio para que Lula possa voltar ao governo porque há problemas muito importantes. Atacam o Lula por um delito que ele nunca cometeu, com a cumplicidade de deputados, senadores. Mas atacam para impedi-lo de concorrer as eleições”, criticou.

O Nobel da Paz anunciou que pretende postular o nome do ex-presidente como candidato ao Prêmio Nobel da Paz, com o qual ele próprio foi agraciado pelos trabalhos à frente da fundação do Servicio Paz y Justicia en América Latina (SERPAJ-AL), que se dedicava a combater e revelar os crimes cometidos pelas ditaduras militares no continente americano.

“Eu estou pensando seriamente propor o Lula como candidato ao Prêmio Nobel da Paz, porque me parece que isso seria muito importante. Antes vou conversar com ele, porque obviamente é preciso avaliar. Mas acho que seria um reconhecimento internacional muito forte.”

Lula deu dignidade ao povo, aos favelados, aos mais pobres. Fez a luta pela fome zero. Claro que falta muito por ser feito no Brasil, mas se avançou muitíssimo. Ele ganharia o Prêmio. Aliás, o Brasil precisa disso. Seria o primeiro Prêmio Nobel da Paz do Brasil”, argumentou.

Em razão da intervenção federal e militar no estado do Rio de Janeiro, o Nobel da Paz criticou o governo golpista de Michel Temer. “Esse governo é um governo neoliberal, e a única forma de se manter no poder é através da violência. Colocam outra vez os militares nas ruas para fazer o controle social. E isso não resolve o problema, pelo contrário, agrava. A única forma de superar a violência social é a educação, são as políticas sociais, é dar dignidade aos trabalhadores”.

Pérez Esquivel também argumentou contra o uso das Forças Armadas no combate à violência: “Nenhum exército pode garantir a paz. Todos os exércitos quando atuam levam a violência e a morte. São guerreiros, vão para matar, para submeter, não para construir a paz. A paz não é um presente de ninguém, ela é construída. A paz também não significa a ausência do conflito. A paz é estabelecida através das relações humanas entre as pessoas e os povos”.

Lula e o ativista Adolfo Perez
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